
O acesso facilitado ao crédito tem levado jovens brasileiros ao endividamento precoce. Com entrada cada vez mais rápida no sistema financeiro, muitos começam a vida econômica já dependentes de limite, parcelamento e fatura rotativa.

Dados do Banco Central (BC) mostram que o número de jovens com crédito dobrou em 8 anos, passando de 13,7 milhões em 2016 para 27,6 milhões em 2024. A maioria está na baixa renda: cerca de 70% ganham até 2 salários mínimos.
A digitalização ampliou esse acesso. Hoje, o brasileiro mantém em média de 6 a 7 vínculos com instituições financeiras, o que significa mais cartões, contas e limites disponíveis.
Segundo o BC, 96,4% dos adultos já têm conta bancária, e 88% são usuários ativos. As transações por celular cresceram 6 vezes entre 2020 e 2024, impulsionadas por Pix e crédito instantâneo.
O avanço do crédito já aparece na inadimplência. O Brasil registrou 82,8 milhões de inadimplentes em março de 2026. Jovens de 18 a 25 anos representam 11,2% desse total.
Levantamento “Raio-X do Investidor Brasileiro”, da Anbima em parceria com o Datafolha, mostra que cerca de um terço da população gasta mais do que ganha e tem baixa formação de reserva financeira.
Apesar do aumento no número de investidores, a base segue frágil: na Geração Z, 57% dizem que suas reservas durariam menos de seis meses.
O levantamento da Anbima também mostra que educação financeira é limitada no Brasil: apenas 3 em cada 10 jovens participaram de cursos ou palestras sobre o tema. O resultado é uma entrada precoce no crédito e maior risco de endividamento já no início da vida financeira.
