
O delegado da Polícia Federal (PF) Umberto Ramos, atualmente adido na embaixada do Brasil em Roma, coordenou a operação que identificou o paradeiro da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL) na Itália. A informação foi divulgada pela GloboNews.

Zambelli deixou o Brasil após ser condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a mais de 10 anos de prisão. Desde então, passou à condição de foragida, foi presa por autoridades italianas em julho do ano passado, e o governo brasileiro já formalizou o pedido de extradição.
Segundo o relato do jornal, Ramos liderou pessoalmente as diligências em território italiano, com uma equipe reduzida, para identificar o local onde a ex-parlamentar estava. A ação incluiu a coleta de imagens e registros que foram reunidos em um dossiê encaminhado à polícia italiana, reforçando os elementos para sua localização e eventual prisão.
Antes de assumir o posto diplomático, o delegado chefiou a superintendência da PF no Amazonas, com atuação voltada ao combate ao crime organizado e a delitos ambientais.
Umberto Ramos é irmão do ex-deputado federal Marcelo Ramos (PSD-AM), que já ocupou a vice-presidência da Câmara dos Deputados.
A prisão de Zambelli em 2025 seguiu o mesmo “modus operandi” da prisão recente do também ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL) nos Estados Unidos: atuação direta de adidos da PF no exterior, em cooperação com autoridades locais.
Antes da prisão da ex-deputada, o embaixador Renato Mosca, sobrinho de Dilma Rousseff, afirmou que o Brasil mantinha contato com autoridades italianas “por meio de um adido da Polícia Federal” e que a embaixada dialogava com ministérios italianos, atribuindo a rapidez à “cooperação jurídica, judicial e policial”.
Ramos já estava plenamente instalado na Itália ao menos desde outubro de 2024 em Roma, quando participou de agenda oficial com o diretor-geral Andrei Rodrigues e o embaixador Renato Mosca.
Antes da captura de Zambelli, também houve movimentação política italiana contra a ex-parlamentar. O deputado Angelo Bonelli, de esquerda, acionou o Parlamento e afirmou ter recebido o endereço de Zambelli no dia da prisão, repassando a informação à polícia local. Segundo o relato, houve atuação conjunta entre polícia, diplomacia e agentes políticos.
A representação internacional da Polícia Federal
A PF mantém presença em 22 países através de Adidâncias e Oficialatos de Ligação. Essa rede foi expandida pelo Decreto nº 12.337/2024, visando o combate ao crime organizado transnacional e o fortalecimento da cooperação jurídica.
LISTA DE REPRESENTANTES ATUAIS:
*AMÉRICA DO SUL
Argentina (Buenos Aires)
Adido Policial: João Vianey Xavier Filho (Delegado)
Adido Adjunto: Alexandre Finkelstein (Agente)
Oficial de Ligação (Interpol): Bruno Malvaccini D’Almeida e Mendes (Agente)
Paraguai (Assunção)
Adido Policial: Richard de Araújo (Delegado)
Adido Adjunto: Roberto Biasoli (Delegado)
Bolívia (La Paz)
Adido Policial: Luiz Claudio Portella (Delegado)
Colômbia (Bogotá)
Adido Policial: Bruno Martins (Delegado)
*AMÉRICA DO NORTE E EUROPA
Estados Unidos (Washington D.C.)
Adido Policial: Luiz Roberto Ungaretti de Godoy (Delegado)
Adido Adjunto: Felipe Alkmin dos Santos Lima (Delegado)
França (Paris)
Adido Policial: Emerson de Almeida Ferreira (Delegado)
Portugal (Lisboa)
Adido Policial: Rejane Pimentel (Delegada)
Conforme o Regimento Interno da PF e normas do MJSP, as funções são distribuídas da seguinte forma:
Adido Policial (Delegado de Classe Especial): Atua no assessoramento direto à Embaixada, inteligência estratégica e interlocução política com autoridades estrangeiras. Não possui poder de polícia executiva em solo internacional.
*Adido Adjunto: Suporte técnico-operacional ao Adido, focado na gestão de informações e fluxos de trabalho da unidade.
*Oficial de Ligação: Atua em missões específicas ou junto a organismos internacionais (Interpol/Europol), facilitando a troca rápida de dados sobre foragidos e crimes transfronteiriços.
Os servidores designados para o exterior possuem regime de dupla subordinação:
Administrativa: Ao Chefe da Missão Diplomática (Embaixador).
Técnica: À Coordenação-Geral de Cooperação Internacional (CGCI/DIREX/PF).
Países autorizados para novos postos: Alemanha, Austrália, Áustria, Emirados Árabes Unidos, Equador, Índia, Panamá e Suíça.
