
Na noite de terça-feira (21) Ana Paula Renault venceu o Big Brother Brasil 26 com 75,94% dos votos e levou para casa R$ 5,7 milhões. Foi uma vitória expressiva, mas o que já circulava nos bastidores políticos havia semanas é que aquela vitória não seria apenas dela: parte da esquerda brasileira apostou cedo nessa candidatura.

O vice-presidente nacional do PT, o deputado federal Jilmar Tatto, confirmou em fevereiro, enquanto Ana Paula ainda estava confinada, que havia “conversas informais” sobre uma possível filiação da jornalista ao partido para as eleições de outubro de 2026. Tatto disse que não acompanha o BBB com regularidade, mas que os posicionamentos da participante tinham conexão com o projeto do partido — voltado, segundo ele, à redução da desigualdade e à defesa dos direitos humanos.
O dado que chamou atenção, porém, não foi a sondagem em si, mas o momento dela: O PT já havia procurado Ana Paula antes mesmo de ela entrar no confinamento, segundo informações apuradas pela equipe deste site. O interesse não surgiu do pico de exposição do reality. Ele preexistia.
Quem é Ana Paula?
Jornalista mineira de 44 anos, Ana Paula ficou conhecida nacionalmente ao participar do BBB 16, ela não venceu aquela edição — e saiu de forma polêmica — mas manteve presença constante nos programas de televisão e nas redes nos anos seguintes. Dez anos depois, voltou ao confinamento como veterana do BBB 26 e desta vez levou o troféu.
Antes do primeiro BBB, trabalhava no setor corporativo. Após a visibilidade do reality, reconstruiu a carreira como comentarista, apresentadora e influenciadora digital. No Instagram, ela mesma se descreve como “ativista e apresentadora”. Em outubro de 2018, ao deixar o confinamento de A Fazenda, a primeira pergunta que fez foi sobre o cenário político do país — e comentou a possibilidade de deixar o Brasil caso Bolsonaro vencesse a eleição.
O que poucos sabem, ou raramente mencionam, é que a política não é território estranho para a família Renault. Seu pai, Gerardo Henrique Machado Renault, foi deputado estadual de Minas Gerais entre 1967 e 1979, eleito pela Arena, partido de sustentação do regime militar instaurado em 1964. Relator da nova Constituição do estado e do Plano Quinquenal de Desenvolvimento, Gerardo presidiu comissões estratégicas na Assembleia Legislativa e depois chegou à Câmara dos Deputados, onde exerceu mandato de 1979 a 1983.
Na Câmara, licenciou-se para assumir a Secretaria Estadual de Agricultura no governo Francelino Pereira e, com o fim do bipartidarismo, filiou-se ao PDS, partido sucessor da Arena. Em 1984, votou a favor da emenda Dante de Oliveira — que previa eleições diretas para presidente —, mas no Colégio Eleitoral de 1985 apoiou Paulo Maluf, derrotado por Tancredo Neves. Gerardo tentou ainda a vice-governadoria de Minas em 1986 e deixou a Câmara ao fim da legislatura, em 1987. Morreu aos 96 anos, dois dias antes da final do BBB 26.
A construção de Ana nas redes
Ana Paula entrou no BBB 26 com cerca de 2,4 milhões de seguidores no Instagram. Saiu com 8 milhões. O crescimento de mais de 5,6 milhões de novos seguidores em 100 dias de programa a coloca acima de Davi Brito, campeão do BBB 24 e até então o maior fenômeno digital do reality, que acumula 7 milhões de seguidores.
Para a esquerda, o número importa por razões bem práticas. A disputa eleitoral em Minas Gerais tem um nome que concentra atenção: Nikolas Ferreira, deputado federal pelo PL, com milhões de seguidores e base digital consolidada. Perfis progressistas nas redes já passaram a apresentar Ana Paula como o contraponto natural a Nikolas — uma disputa que se delineia menos como confronto partidário e mais como embate de audiência, influenciador contra influenciador, num estado que será chave nas eleições de outubro.
