
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, está disposto a devolver valor suficiente para cobrir os rombos nas previdências estaduais e municipais afetadas por sua instituição. A informação é do jornal O Globo.
Segundo fonte ouvida pelo jornal, a proposta do banqueiro “vai incluir o ressarcimento de todos os fundos de pensão”. A defesa de Vorcaro pretende apresentar ainda nesta semana uma proposta de delação premiada em reunião com a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR).

O rombo total das previdências ainda não foi fechado, mas supera R$ 3 bilhões. Dados do Ministério da Previdência indicam que ao menos 3 Estados e 15 municípios aplicaram R$ 1,87 bilhão em letras financeiras do Master entre outubro de 2023 e dezembro de 2024.
No caso do Rioprevidência, o aporte chegou a R$ 2,6 bilhões. Outros investimentos incluem R$ 400 milhões do fundo de pensão do Amapá e R$ 50 milhões do Amazonas.
As letras financeiras são títulos de alto risco e não contam com garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o que deixa investidores sem proteção em caso de quebra, como ocorreu com o Master, liquidado pelo Banco Central (BC) no final do ano passado.
No Rioprevidência, a liberação de R$ 100 milhões ao Master ocorreu em menos de 1 mês, sem consulta prévia ao comitê de investimentos. O então presidente do fundo, Deivis Marcon Antunes, foi preso pela PF em fevereiro.
No Amapá, o comitê de investimentos aprovou aporte de R$ 100 milhões apesar de alertas técnicos sobre o risco do banco. Uma auditoria do Ministério da Previdência apontou que fundos de diferentes estados terceirizaram de forma indevida a habilitação do Master para receber recursos.
Documentos analisados pela pasta indicam que pareceres usados por diferentes fundos eram idênticos.
