
Já está marcada no Senado, para o dia 29 de abril, a sabatina de Jorge Messias para ocupar a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal.

Para alguns, isso já significa a concretização de mais um petista se juntando a uma corte já politizada. Afinal, a última vez que um nomeado foi barrado pelo Senado foi em 1894.
Mas o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem dito, nos bastidores, que já são 35 os votos contrários a Messias, segundo o jornalista Lauro Jardim. Existem pressões para barrar mais um ministro subalterno de Lula, como a petição com quase 12 mil assinaturas da Free Speech Union Brasil e o site “Votos Senadores”, mantido pelo deputado Gustavo Gayer (PL-GO).
Por outro lado, o site de Gayer contabiliza apenas 23 votos contrários entre os senadores, 26 a favor e 32 indefinidos. Messias precisaria de 41, no mínimo, mas tem dito, segundo a jornalista Malu Gaspar, que já dispõe de 48 votos. O próprio presidente do Senado, Davi Alcolumbre, não acredita e teria dito que o nomeado não tem mais de 30.
Messias tem apoiadores evangélicos secretos? Quem são?
Nesse jogo de números, algo que pode contar a favor de Messias é que haveria “parlamentares evangélicos que não admitem publicamente, mas que não pretendem barrar as pretensões do chefe da AGU”, segundo Gaspar, numa publicação da última sexta.
Apesar do petismo de Messias e uma postura no mínimo atípica sobre aborto para um evangélico, esses apoiadores silenciosos podem achar que o fato de o nomeado ser da Igreja Batista poderia reforçar uma suposta bancada “conservadora” de ministros no STF.
Cruzando a informação de Malu Gaspar com o banco de dados de posições públicas de Gayer, esta coluna pode apontar quais são os mais prováveis integrantes do suposto bloco de senadores evangélicos que poderiam estar planejando votar a favor de Messias e esconder do próprio eleitorado. Seriam eles:
Alan Rick (Republicanos-AC), secretário da Frente Parlamentar Evangélica (FPE);
Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da FPE;
Laércio Oliveira (PP-SE), 1º suplente da FPE;
Jorge Kajuru (PSB-GO), titular da FPE;
Vanderlan Cardoso (PSD-GO), 2º suplente da FPE;
Zequinha Marinho (Podemos-PA), tesoureiro da FPE.
Se é verdade que têm esse plano, só cada um deles pode confirmar. Cabe a seus eleitores cobrar que desçam do muro.
Infelizmente, com o voto secreto no Senado, ainda é possível para os 81 senadores dizer uma coisa em público e fazer outra sob a proteção do sigilo.
