
O uso do cartão de crédito rotativo, a linha mais cara do mercado financeiro, se aproximou de R$ 400 bilhões em 2025, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central (BC). A modalidade é apontada como um dos principais fatores do alto endividamento no país.
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De acordo com o BC, 101 milhões de brasileiros utilizam cartão de crédito, e cerca de 40 milhões estavam com dívidas no rotativo em janeiro deste ano.
A inadimplência nessa linha alcançou 63,5%, indicando que mais de R$ 60 a cada R$ 100 emprestados não foram pagos. Os juros também seguem elevados: chegaram a 436% ao ano em fevereiro. Em comparação, o crédito consignado tem taxas entre 24% e 60% ao ano.
O rotativo é acionado quando o consumidor não paga o valor total da fatura até o vencimento. Especialistas recomendam evitar essa modalidade e priorizar o pagamento integral.
Desde janeiro de 2024, uma regra limita o crescimento da dívida. O valor total não pode ultrapassar o dobro do débito original. Na prática, uma dívida de R$ 100 não pode superar R$ 200 com juros e encargos.
No mês passado, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmou durante coletiva que o uso recorrente desse tipo de crédito exige revisão. “Nossa dimensão do BC é como a gente consegue construir alternativas para o cliente ter uma opção mais adequada à situação dele”, afirmou.
Galípolo também destacou a necessidade de mudanças estruturais no sistema para “produzir arranjos mais saudáveis para quem está buscando crédito”.
Os dados do BC mostram mudança no comportamento após a pandemia da Covid-19. Entre 2012 e 2020, o volume anual não ultrapassava R$ 225 bilhões. Com o fim do auxílio emergencial e a alta da inflação, o uso do rotativo cresceu e atingiu novos patamares.