
Os juros médios do cartão de crédito rotativo atingiram 436% ao ano em fevereiro, informou o Banco Central (BC) na manhã desta segunda-feira (30). A modalidade segue como a mais cara do mercado, com taxas acima de 400% ao ano: cerca de 30 vezes superiores à taxa básica da economia (Selic).

Dados divulgados pelo BC mostram que cerca de 40 milhões de brasileiros estavam endividados no rotativo em janeiro. A inadimplência dessa linha chegou a 63,5%. O rotativo é acionado quando o consumidor não paga o valor total da fatura até o vencimento.
Desde janeiro de 2024, regras aprovadas pelo Congresso Nacional limitaram o crescimento da dívida. O total devido não pode ultrapassar o dobro do valor original, excluindo o IOF. Se a dívida inicial for de R$ 100, o valor máximo a pagar será de R$ 200, considerando juros e encargos.
Na semana passada, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmou que 101 milhões de brasileiros utilizam cartão de crédito, modalidade que concentra grande parte do endividamento. De acordo com ele, os brasileiros têm usado o rotativo como complemento de renda, quando deveria ser uma solução emergencial.
“Nossa dimensão do BC é como a gente consegue construir alternativas para o cliente ter uma opção mais adequada à situação dele”, disse o presidente da autarquia.
Galípolo também afirmou que a meta é “produzir arranjos mais saudáveis para quem está buscando crédito”.
Como alternativa, o governo Lula ampliou nos últimos dias o crédito consignado para trabalhadores do setor privado, com mais de R$ 80 bilhões liberados em um ano. A regulamentação do uso do FGTS como garantia, porém, ainda não foi implementada.
