
O preço do diesel acumulou alta próxima de 20% nas bombas em março, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT). O avanço ocorre em meio à escalada do petróleo no mercado internacional e já supera o ritmo do último reajuste anunciado pela Petrobras.
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Entre os dias 1º e 16 do mês, o diesel S10 subiu 19,71%. O diesel aditivado avançou 17,61%. No mesmo período, a gasolina teve alta mais moderada, enquanto o etanol registrou leve queda.
A alta acompanha o aumento do preço do petróleo, impulsionado por tensões no Oriente Médio. O combustível no Brasil passou a refletir com mais intensidade fatores externos, como câmbio, frete e custo internacional.
Mesmo após reajustes, os preços domésticos seguem abaixo da paridade internacional. Segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), a defasagem já supera 50%.
De acordo com importadores, o diesel trazido ao país chega até R$ 2,50 mais caro que o valor praticado internamente.
Importações recuam
Cerca de 30% do diesel consumido no Brasil é importado. Com a diferença de preços, o volume de importações começou a cair.
Empresas têm evitado fechar novos contratos, o que afeta a reposição de estoques. Há relatos de redução de entregas e maior dificuldade para aquisição do produto.
Os primeiros impactos aparecem no mercado à vista. Distribuidoras passaram a limitar volumes, principalmente para clientes sem contratos de longo prazo.
Pedidos vêm sendo recusados e há redução de entregas, inclusive para contratos já firmados. O cenário indica desequilíbrio entre oferta e demanda.
Tributação perde efeito
Medidas de desoneração, como a redução de PIS e Cofins, tiveram impacto limitado. O modelo atual de cobrança do ICMS, com valor fixo por litro, reduz o efeito de políticas fiscais em momentos de alta do petróleo.
Especialistas apontam que o preço do diesel passou a ser mais influenciado por fatores macroeconômicos do que por tributos.
Impacto na economia
O diesel é o principal combustível do transporte de cargas no país. A alta pressiona custos logísticos e tende a ser repassada aos preços de produtos.
Estimativas indicam impacto direto limitado no índice oficial de inflação, mas efeito indireto relevante ao longo dos próximos meses, com encarecimento de alimentos e serviços.
Risco no abastecimento
A combinação de preços defasados e recuo nas importações amplia o risco de restrição de oferta. Analistas apontam que, sem ajuste de preços, a tendência é de menor entrada de produto no país.
O cenário coloca pressão sobre a política de preços e levanta dúvidas sobre a previsibilidade do abastecimento no curto prazo.