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Caso Master leva BC a ajustar supervisão de instituições financeiras
Publicado em 16/03/2026 10:51 • Atualizado 16/03/2026 10:55
Últimas Notícias

O Banco Central (BC) vai “acelerar” a revisão dos processos de supervisão de instituições financeiras após suspeitas de corrupção envolvendo dois técnicos da autarquia no caso do Banco Master, de Daniel Vorcaro. A informação é do jornal O Globo.

 

 

Segundo reportagem, a revisão começou após a liquidação do banco, em novembro, e ganhou prioridade com as investigações recentes. As discussões ainda estão em fase inicial e não há previsão de “mudanças radicais”, mas a tendência é reforçar procedimentos internos e a governança da supervisão.

 

Entre as medidas em análise estão, de acordo com O Globo, a criação de limites de mandato para cargos de chefia e a formação de comitês para reduzir decisões monocráticas dentro das áreas técnicas.

 

 

Os técnicos Paulo Souza e Belline Santana, do BC, são suspeitos de atuar como “consultores informais” de Daniel Vorcaro em troca de vantagens. Souza foi diretor de Fiscalização do BC entre 2017 e 2023 e, segundo investigações, teria sido cooptado por Vorcaro nesse período.

 

Mais recentemente, ele atuava como chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária (Desup), responsável pelo monitoramento do Master. Santana chefiava o departamento desde 2019.

 

Os dois foram afastados do BC por decisão de André Mendonça, relator do caso Master no Supremo.

 

Antes da decisão, os servidores já haviam deixado os cargos por determinação do próprio BC. Auditoria interna identificou indícios de recebimento de vantagens indevidas a partir da evolução patrimonial dos dois técnicos, e o caso foi encaminhado à Polícia Federal (PF).

 

A revisão da supervisão das instituições financeiras já estava em andamento após a liquidação do Master e deve ser acelerada com o novo episódio. Em 2025, o BC endureceu regras de regulação do sistema financeiro, e especialistas passaram a defender reforço também na fiscalização.

 

Segundo o jornal, as discussões ocorrem dentro da Diretoria de Fiscalização do BC e, posteriormente, devem ser levadas à cúpula da autarquia, comandada por Gabriel Galípolo. As mudanças podem envolver desde procedimentos internos até reorganização das equipes.

 

 

 

Uma das propostas em debate é estabelecer limite de tempo para permanência em cargos de chefia, com o objetivo de reduzir o chamado “risco de captura”, quando supervisores passam a ter relação excessivamente próxima com instituições reguladas.

 

Outra ideia é criar comitês dentro das diretorias para decisões relevantes, replicando modelos já usados no BC, como o Copom e o Comitê de Estabilidade Financeira (Comef). A intenção é reduzir a concentração de decisões nas mãos de chefes de departamento.

 

No caso do Master, por exemplo, a liquidação foi proposta pela área de fiscalização e confirmada em reunião colegiada da diretoria. Ainda assim, chefes de supervisão possuem autonomia para aplicar medidas prudenciais, multas e convocar controladores de instituições para esclarecimentos.

 

Após o caso, instituições reguladas já relatam, de acordo com O Globo, mudança de postura da fiscalização do BC, que passou a demonstrar maior ceticismo em relação às explicações apresentadas.

 

Especialistas consultados pelo jornal também defendem ampliar o acesso a informações hoje consideradas pouco transparentes, como dados sobre fundos de investimento, apontados nas investigações como uma das estratégias usadas pelo Master para inflar o patrimônio.

 

Para que as mudanças avancem, técnicos disseram ao jornal que será necessário reforçar a estrutura do BC. A instituição enfrenta redução do quadro de pessoal e restrições orçamentárias.

 

Mesmo com avanços tecnológicos, a avaliação é que novos servidores especializados ainda serão necessários para acompanhar processos e validar análises produzidas por ferramentas de inteligência artificial (IA).

 

 

A área de fiscalização é uma das mais afetadas pelas limitações de pessoal. Nos últimos anos, os filtros de supervisão foram ampliados para dar conta do aumento do número de instituições reguladas, inclusive novos tipos de empresas financeiras. Verificações especiais, inspeções detalhadas em entidades supervisionadas, foram reduzidas.

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