
(Folhapress) A ofensiva de Israel no Líbano nesta sexta-feira (13) incluiu a destruição de uma ponte civil no sul do país, a difusão de panfletos em Beirute ameaçando a capital com uma devastação comparável à da Faixa de Gaza e a mobilização de mais tropas para combater o Hezbollah, milícia apoiado pelo Irã.
Enquanto isso, o ministro do Interior libanês, Ahmad Al-Hajjar, afirmou que as autoridades não tinham condições de acolher as centenas de milhares de pessoas que buscaram refúgio na capital para fugir dos bombardeios de Tel Aviv nas últimas semanas. Pelo menos 800 mil pessoas foram desalojadas devido à guerra.
De acordo com Al-Hajjar, o país abriu o máximo de abrigos possível em Beirute para os libaneses deslocados internamente, muitos dos quais estão dormindo nas ruas ou em parques. “Não importa quantos abrigos sejam abertos em Beirute, eles não podem acomodar todos os deslocados”, afirmou em uma entrevista coletiva.
Já o número de mortes por ataques israelenses, segundo o Ministério da Saúde do Líbano, chegou a 773 desde 2 de março, quando o Estado judeu lançou uma ofensiva contra o Hezbollah. O grupo fundamentalista havia aberto fogo para vingar o líder supremo do Irã Ali Khamenei, morto por Estados Unidos e Israel no início da guerra.
A cifra ainda deve crescer, já que aviões de guerra continuavam bombardeando os subúrbios de Beirute com ataques aéreos nesta sexta.
Em visita ao Líbano, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que está buscando US$ 308 milhões em financiamento emergencial para ajudar as autoridades a lidar com as consequências humanitárias do conflito. “A solidariedade em palavras deve ser acompanhada pela solidariedade em ações”, afirmou ele nesta sexta.
A despeito dos apelos, aviões israelenses lançaram panfletos sobre Beirute ameaçando infligir danos ao Líbano semelhantes à devastação que Tel Aviv causou em Gaza durante os dois anos de guerra com o Hamas. Grande parte do território palestino, um dos mais densamente povoados do mundo, foi reduzida a escombros por bombardeios israelenses, o que fez quase toda a população ser deslocada.
“Diante do grande sucesso em Gaza, o jornal da nova realidade chega ao Líbano”, dizia o material.
Outro panfleto pedia aos libaneses que desarmassem o Hezbollah. O papel continha ainda dois QR codes com links para o WhatsApp e o Facebook, acompanhados de uma mensagem que incentivava os libaneses a entrarem em contato caso desejassem ver uma “mudança real” em seu país.
Segundo a emissora qatari Al Jazeera, o Exército libanês instruiu a população a não acessar o QR code, já que os links levariam a um sistema de recrutamento de Israel. Tel Aviv não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre essas ações.
Antes disso, durante a madrugada, Israel já havia atacado a Ponte Zrarieh, sobre o rio Litani, sob a justificativa de que ela estaria sendo usada por combatentes do Hezbollah para se deslocarem entre o norte e o sul do Líbano. O Exército não apresentou provas para a afirmação.
“O governo libanês (…) pagará custos crescentes por meio de danos à infraestrutura e perda de território” até que o Hezbollah seja desarmado, disse o Ministro da Defesa, Israel Katz, em um comunicado. Esta foi a primeira vez que Israel admitiu ter atacado infraestrutura civil durante a atual campanha militar no Líbano.
O direito internacional proíbe que militares ataquem infraestrutura civil, a não ser que o local esteja sendo usado para fins militares.
Na quinta (12), o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, afirmou que uma operação terrestre no Líbano possa ser evitada, mas que, se o governo “continuar a permitir que o Hezbollah atue em violação ao seu compromisso de desarmá-lo”, então Israel o fará.
Ao ser questionado sobre quais ações Tel Aviv poderia tomar contra o novo aiatolá do Irã, Mojtaba Khamenei, e o chefe do Hezbollah, Naim Qassem, o premiê disse que “não emitiria apólices de seguro de vida para nenhum dos líderes da organização terrorista”.
O governo do Líbano tem tentado desarmar o Hezbollah, e, antes da guerra, o Exército do país havia registrado progressos em áreas próximas à fronteira com Israel. Já Israel afirma que as capacidades militares da facção foram enfraquecidas desde a guerra de 2024, mas que o grupo ainda representa uma grande ameaça e possui centenas de foguetes.