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“Quero mandar dar um pau nele”, diz Vorcaro sobre Lauro Jardim
Publicado em 04/03/2026 12:27
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Preso nesta quarta-feira, (04), pela Polícia Federal, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, teria solicitado a um aliado que organizasse um assalto forjado para agredir o jornalista Lauro Jardim, de O Globo. Segundo o ministro André Mendonça, relator da investigação no Supremo Tribunal Federal (STF), a intenção seria “calar a voz da imprensa que ousasse emitir opinião contrária aos seus interesses privados”.

 

Vorcaro foi preso na terceira fase da Operação Compliance Zero. A investigação aponta que ele comandava uma estrutura privada de vigilância e intimidação chamada “A Turma”, usada para monitorar adversários e obter informações sigilosas.

 

decisão – Op. Compliance ZeroBaixar

De acordo com mensagens interceptadas pela Polícia Federal, Vorcaro conversava com Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, responsável por ações de monitoramento e coleta de dados.

 

Em uma das trocas de mensagens, Mourão pergunta:

“Esse Lauro Jardim bate cartão todo domingo? Hrs hein. Lanço uma nova sua? Positiva”.

 

 

“Sim”, respondeu Vorcaro.

 

Na sequência, Mourão escreveu: “Cara escroto”.

 

Vorcaro então afirmou:

“Tinha que colocar gente seguindo esse cara. Pra pegar tudo dele”.

 

Mourão respondeu: “Vou fazer isto.”

 

Em outro trecho da conversa, o banqueiro afirma:

“Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”.

 

 

PF aponta que Vorcaro planejou agressão a Lauro Jardim em “assalto” forjado

Segundo a decisão do ministro André Mendonça, Mourão reagiu com dois símbolos de aprovação à mensagem em que Vorcaro fala em “quebrar todos os dentes” do jornalista. Em seguida, escreveu: “Estamos em cima de todos os links negativos vamos derrubar todos e vamos soltar positivas”.

 

Ainda na conversa, Mourão questiona a ordem: “Pode? Vou olhar isso…”.

 

Vorcaro responde: “Sim”.

 

Na decisão que autorizou a prisão, Mendonça afirma que as mensagens indicam intenção de agressão contra o jornalista após a publicação de reportagens consideradas contrárias aos interesses do banqueiro.

 

“A partir de todos esses diálogos verifica-se a presença de fortes indícios de que Vorcaro determinou a Mourão que forjasse um assalto, ou simulasse cenário semelhante, para prejudicar violentamente o jornalista em questão e, a partir do episódio, calar a voz da imprensa que ousasse emitir opinião contrária aos seus interesses privados”, escreveu o ministro.

 

Segundo a investigação, Mourão integrava o grupo de WhatsApp chamado “A Turma”, descrito na decisão como estrutura usada para obtenção de informações sigilosas, monitoramento de pessoas e neutralização de situações consideradas sensíveis aos interesses do grupo investigado.

 

 

Em nota, o jornal O Globo repudiou as ameaças contra o colunista Lauro Jardim. A empresa afirmou que as ações planejadas tinham o objetivo de “calar a voz da imprensa”.

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