
Flávio Bolsonaro já aparece numericamente à frente de Lula em várias pesquisas, mas o ‘apoio nas urnas’ ainda não se traduz em ‘povo nas ruas’. Ontem, a manifestação ‘Acorda, Brasil!’ tirou alguns milhares de brasileiros do sofá, mas bem menos que em outras manifestações. Reconhecer isso é fundamental para compreender o pensamento do eleitor, sua disposição em mobilizar-se politicamente e até mesmo na modelagem da estratégia para novos protestos.
Será que não é hora de copiar a esquerda e levar artistas de direita para cima dos trios elétricos, transformando esses atos políticos em entretenimento? Ou trocar as ruas por estádios? Coletar assinaturas para apoio a um impeachment ou a um projeto de lei? Me parece claro que o modelo se esgotou. Também me parece claro que Flávio não é Jair, não tem o seu carisma e nem mexe com o coração das pessoas do mesmo jeito.
Isso não quer dizer que ele não possa ser um presidente muito melhor que o pai, talvez a falta de popularidade até ajude no dia a dia.
Foi bom ver o senador caminhando ao lado do governador Romeu Zema, cotado para vice. O mineiro é bom gestor, embora ainda menos carismático. Foi bom vê-lo ao lado de Nikolas, a grande promessa de liderança popular da direita, mas ainda jovem demais. Foi bom vê-lo ao lado de Silas Malafaia, o barulhento pastor que possui uma ‘máquina de manifestações’ azeitada. Faltou Michelle, que só deve ‘se envolver na política’ depois de março, como escreveu Jair Bolsonaro.
A carta do ex-presidente, escrita de dentro da cadeia, virou uma espécie de sermão para essas e outras lideranças, que passaram as últimas semanas trocando farpas nas redes sociais. “Numa campanha majoritária, bem como (para) as cobiçadas vagas para o Senado, os apoios devem vir pelo diálogo e convencimento, nunca por pressões ou ataques entre aliados”, alertou Bolsonaro, ensinando que não dá para cobrar união do povo, se ela não existe dentro do campo político, no partido ou mesmo em casa.
Eu mesmo só voltarei às ruas quando houver ao menos união de propósito. Em vários grupos de WhatsApp da direita, vejo acontecer a mesmíssima coisa. Jornalistas, analistas e lideranças políticas gastando uma energia emocional e intelectual formidável para avaliar seus aliados, enquanto o foco poderia estar 100% no inimigo (inimigo mesmo, não rival). Parece tentador se comparar com quem está a seu lado, mas isso é uma armadilha mental, um cacoete quase adolescente.
Por favor, não caiam na tentação! Temos grandes quadros do lado de cá. Cada um com seu jeito, característica, qualidades e defeitos. Mas não estamos num concurso de talentos. Há em curso uma verdadeira batalha para resgatar o país das mãos de criminosos e não dá para fazer isso com um exército de maltrapilhos e desajustados. Concentrem-se na batalha, nas estratégias para derrotar a esquerda nas urnas em outubro. Sigam em frente, unidos, que o povo virá atrás!
