
O Conselho Monetário Nacional (CMN) autorizou nesta quinta-feira (26) que os Correios tomem mais R$ 8 bilhões em empréstimos com garantia da União, completando o pacote de R$ 20 bilhões planejado para salvar a estatal.
A decisão ocorre em meio a uma crise financeira sem precedentes, que levou a empresa a registrar prejuízo de R$ 6 bilhões entre janeiro e setembro de 2025, com déficit previsto de R$ 9,1 bilhões para este ano.
A operação segue o modelo em que o Tesouro Nacional assume a cobertura de eventuais inadimplências, reduzindo o risco para as instituições financeiras e garantindo condições mais favoráveis de crédito.
Apesar disso, integrantes do governo e da própria estatal ainda estudam a possibilidade de que parte dos R$ 8 bilhões seja viabilizada por aporte direto do Tesouro, em vez de empréstimo. Decisões finais devem ser tomadas até o fim do primeiro semestre.
Em nota, o CMN afirmou que a ampliação do crédito visa “assegurar a continuidade do Plano de Reestruturação Econômico-Financeira dos Correios, aprovado em dezembro de 2025”. Na prática, a decisão transfere risco ao contribuinte para cobrir falhas de gestão e déficits estruturais da estatal.
Redistribuição de crédito:
A resolução do CMN também redefiniu limites de operações de crédito para estados, Distrito Federal e municípios, sem aumentar o teto total de 2026, que passou de R$ 15,625 bilhões para R$ 23,625 bilhões. Entre as mudanças:
Redução do sublimite geral para estados e municípios com garantia da União, de R$ 9 bilhões para R$ 5 bilhões;
Criação de sublimite de R$ 2 bilhões para o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) e R$ 2 bilhões para parcerias público-privadas (PPPs), com cobertura federal;
Ajustes em operações sem garantia da União, reduzindo o limite de R$ 6 bilhões para R$ 4 bilhões e criando R$ 2 bilhões para projetos do Novo PAC.
De acordo com o Ministério da Fazenda, o objetivo dessas alterações é priorizar recursos para iniciativas consideradas estratégicas pelo governo federal, mantendo o foco em investimentos estruturantes e na recuperação financeira da estatal postal.
Histórico
Em dezembro de 2025, a estatal captou R$ 12 bilhões junto a um consórcio formado por cinco bancos – Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal – com garantia do Tesouro. A operação foi menor do que o planejado, após os bancos apresentarem proposta com juros acima do limite permitido pela União.
