
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), afirmou que o aumento do imposto de importação sobre mais de mil produtos não terá impacto nos preços dos itens. Segundo ele, a medida foi tomada pelo governo Lula para “proteger a produção nacional”.
A decisão foi tomada no início do mês pelo Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex/Camex). As alíquotas subiram até 7,2 pontos percentuais e atingem bens de capital e itens de informática e telecomunicação, como smartphones, freezers e painéis de LED.
“Mais de 90% desses produtos são produzidos no Brasil, ou seja, seguem a lei brasileira, não tem nada a ver com essa medida (…) para proteger a produção nacional que essa medida está sendo tomada”, afirmou Haddad em conversa com jornalistas ontem (25).
O ministro petista argumentou que a mudança busca evitar concorrência com produtos vendidos abaixo do custo por empresas estrangeiras.
“Agora uma empresa asiática, de qualquer país que faz um similar e está jogando o seu produto aqui abaixo do custo porque não está conseguindo vender na Europa e Estados Unidos, aí não estamos falando: pera lá, aí não. Ou você vem para cá produzir aqui, e aí a gente produz tudo aqui, ou você não vai poder concorrer nessa base de preço”, disse.
Questionado sobre possível revogação da medida, Haddad afirmou que a tarifa é instrumento do governo Lula contra o “comércio internacional desleal”. Disse ainda que ajustes podem ser feitos pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), inclusive redução a zero.
“Qual é o objetivo? Trazer essa empresa para o território nacional. Então não tem impacto, a não ser na proteção da produção nacional, não tem impacto em preço”, afirmou.
Parte das novas alíquotas já está em vigor. O restante passa a valer a partir de março. A lista inclui: smartphones, torres e pórticos, reatores nucleares, caldeiras, geradores de gás, turbinas para embarcações, motores para aviação, bombas para combustíveis, fornos industriais, freezers, centrifugadores laboratoriais, máquinas industriais, empilhadeiras, robôs industriais, tratores, plataformas de perfuração, navios de guerra, aparelhos de ressonância magnética, tomógrafos e equipamentos odontológicos.
A medida pode afetar setores como indústria, saúde e infraestrutura, com possível reflexo em itens como motores de portão, eletrodomésticos, manutenção hospitalar, exames médicos, metrôs e projetos de mineração.
