
Em ano eleitoral, o governo Lula negocia a contratação do jornalista Datena para a programação da TV Brasil. As tratativas ocorrem no âmbito da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
O acordo em discussão prevê pagamento mensal em torno de R$ 100 mil, além de subsídios para passagens aéreas e custos operacionais. Com isso, o valor total do contrato pode chegar a cerca de R$ 1,2 milhão por ano.
A negociação indica uma mudança na linha da comunicação pública, com ampliação de conteúdos de apelo popular, especialmente voltados à cobertura policial e à segurança pública. Internamente, a estratégia é vista como tentativa de elevar a audiência dos veículos da estatal em um período de eleições.
O projeto inicial prevê que Datena atue em dois veículos da EBC. A proposta inclui programas na TV Brasil e na Rádio Nacional. Estão em estudo a criação de um talk show semanal e de um programa jornalístico diário, com foco em criminalidade, políticas de combate ao crime e entrevistas com autoridades da área de segurança.
Além do cachê mensal, o pacote inclui gastos com produção e deslocamento. A direção da EBC sustenta que os valores estão dentro dos parâmetros praticados no mercado e aponta o histórico profissional do apresentador como justificativa para a contratação.
A possível contratação gerou questionamentos sobre a adequação do perfil de Datena à comunicação pública. Críticas apontam o uso de recursos públicos para financiar um formato associado a programas policiais de emissoras comerciais.
Defensores da iniciativa afirmam que a segurança pública é um dos principais temas de interesse da população e que a presença de um comunicador de alcance nacional pode ampliar a visibilidade da EBC.
Apesar das negociações avançadas, o contrato ainda não foi assinado. A expectativa é que, se houver acordo, a nova programação entre no ar nos próximos meses.
