
Analistas criticam restrições impostas a Bolsonaro durante internação
Durante o programa Alive, exibido hoje (24) no YouTube e apresentado por Júlia Lucy, convidados criticaram as medidas impostas ao ex-presidente Jair Bolsonaro durante sua internação hospitalar autorizada pelo Supremo Tribunal Federal.
O filósofo e economista Paulo Kogos afirmou que as restrições impostas configuram violações sucessivas. Disse que há “violação da autoridade do médico dentro do hospital” e “violação dos direitos humanos”, atribuindo a responsabilidade ao ministro Alexandre de Moraes. Segundo Kogos, “isso é chocante, mas é previsível”.
Kogos disse que o país vive “um regime de exceção” e afirmou que Bolsonaro representa um movimento popular que incomoda o sistema político. Disse que o ex-presidente surgiu para conter um projeto de longo prazo do PT e aliados, ao qual se referiu como avanço do socialismo. Segundo ele, Bolsonaro “pode ter cometido erros técnicos”, mas afirmou que o ex-presidente é “bem-intencionado” e que não há acusações de corrupção comprovadas contra ele.
De acordo com Kogos, a reação contra Bolsonaro seria motivada por sua capacidade de mobilização popular, independente de grandes meios de comunicação ou financiamento político. Afirmou que “isso é uma pedra no sapato do sistema” e que o que ocorre hoje é “uma vingança” e “uma humilhação”.
O analista econômico Ary Alcântara afirmou que o cenário atual revela medo diante das ideias representadas por Bolsonaro. Disse que “o país clama por heróis” e classificou o ex-presidente como alguém que simboliza valores ligados à liberdade e à resistência ao autoritarismo. Para Alcântara, a presença de policiais na porta de um quarto de hospital revela temor em relação às ideias que mobilizam parte da sociedade.
A apresentadora Júlia Lucy comparou a situação à atuação de lideranças políticas em outros episódios históricos e afirmou que é necessário “ser muito psicopata” para imaginar que alguém internado poderia usar uma transferência hospitalar como tentativa de fuga.
A advogada Carol Sponza afirmou que não vê espaço para análise jurídica quando envolve decisões de Alexandre de Moraes. Afirmou que as medidas adotadas configuram “tortura” e “humilhação” e citou a proibição de filhos acompanharem o pai em cirurgia como violação de direitos humanos. Segundo ela, a presença de policiais em ambiente hospitalar decorre de “ordem judicial ilegal”.
A mestre em ciências e ativista Luciana Lippi abordou o quadro clínico de Bolsonaro. Disse que a hérnia inguinal bilateral não é um procedimento simples, especialmente diante do histórico médico do ex-presidente desde a facada de 2018. Afirmou que a condição de saúde é frágil e que a restrição ao convívio familiar durante o período hospitalar agrava a situação.
O debate ocorreu no contexto da internação de Bolsonaro para cirurgia marcada para o dia de Natal, com vigilância da Polícia Federal e restrições de visita impostas por decisão judicial.