
Em um movimento estratégico voltado à reconstrução de sua imagem pública, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lançou nesta quinta-feira (3/4) o novo slogan do governo federal: “Brasil dando a volta por cima”. O mote marca a segunda metade do seu terceiro mandato e foi acompanhado de uma mudança significativa no estilo de comunicação do presidente, que desta vez evitou improvisos e seguiu um discurso previamente preparado.
A iniciativa ocorre em meio à queda de popularidade registrada nas últimas pesquisas de opinião, o que acende o alerta no Palácio do Planalto em relação às eleições de 2026. De acordo com aliados ouvidos pelo portal Metrópoles, a mudança de postura busca conter o desgaste provocado por falas polêmicas proferidas por Lula em discursos anteriores.
Conhecido por abandonar os roteiros oficiais e improvisar falas durante seus pronunciamentos, Lula acabou municiando a oposição bolsonarista com declarações que foram interpretadas como sexistas e xenofóbicas. Entre os episódios recentes, destacam-se a afirmação de que “homens amam mais as amantes do que suas mulheres” para justificar seu “amor pela democracia”; a justificativa de que escolheu Gleisi Hoffmann para cargo de ministra por ser uma “mulher bonita”; e a referência ao líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), como o “cabeçudo do Ceará”.
Desta vez, no lançamento do novo slogan, Lula manteve-se dentro do protocolo e apresentou os feitos de seu governo. Destacou a retirada de 24 milhões de pessoas da miséria e defendeu a aprovação da chamada Lei de Reciprocidade, em resposta à guerra comercial promovida pelos Estados Unidos durante o governo de Donald Trump.
Ainda que mais contido, Lula não abriu mão totalmente do tom descontraído que o caracteriza. Em dois momentos pontuais, brincou com o público — pedindo aplausos enquanto tomava água e, em outro instante, comparando a quantidade de pessoas retiradas da fome ao tamanho de um estádio de futebol lotado por dia, mencionando seu time, o Corinthians.
A adoção de um discurso mais planejado é vista por aliados como uma tentativa clara de reconstruir a narrativa do governo e reduzir o espaço para novas polêmicas. Resta saber se essa mudança será mantida ou se Lula voltará a improvisar nos próximos pronunciamentos — prática que pode ter custos políticos mais altos.
