A nova rodada da pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (2), acendeu o sinal vermelho no Palácio do Planalto. Com uma desaprovação de 56% — a maior desde o início do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) —, ministros e assessores do governo agora admitem, sob reserva, que será necessário promover mudanças significativas na gestão, especialmente mirando as eleições de 2026.
Realizada entre os dias 27 e 31 de março, com 2.004 brasileiros acima de 16 anos, a pesquisa aponta ainda que a aprovação do governo caiu para 41%, uma queda de seis pontos em relação ao levantamento anterior, realizado em janeiro. A deterioração da imagem presidencial, segundo fontes palacianas, reforça o sentimento de urgência interna.
A percepção negativa também foi corroborada pela pesquisa AtlasIntel, divulgada em 1º de abril, que mostra reprovação de 53,6% e aprovação de 44,9% ao governo federal — índices semelhantes aos da Genial/Quaest, indicando que não se trata de um dado isolado, mas de uma tendência consolidada.
Um dos pontos que mais preocupa o núcleo duro do governo é a queda na aprovação entre os jovens de 16 a 34 anos. De acordo com o levantamento, a aprovação nessa faixa caiu de 45% para 33%, enquanto a rejeição subiu de 52% para 64%. Um ministro próximo ao presidente, em tom alarmado, resumiu a situação: “Não dá para perder a juventude”, pedindo anonimato.
Além dos jovens, a pesquisa revela aumento da rejeição em grupos tradicionalmente simpáticos ao petismo: mulheres, pessoas negras e pardas, moradores do Nordeste e brasileiros com renda de até dois salários mínimos. Esses segmentos vinham sendo considerados como a base mais sólida de apoio ao presidente — e agora demonstram sinais de desgaste.
Para integrantes do governo, a explicação para os resultados ruins passa por dois fatores: inflação dos alimentos e sensação de insegurança pública. Um ministro afirmou que “enquanto não ajustar isso, não tem como simplesmente melhorar”. Em outras palavras: prometer é fácil, entregar é outro drama.
Agora, a corrida contra o tempo começou nos bastidores do Planalto. Se a juventude está pulando fora, se o Nordeste está com o pé atrás, e até os eleitores com arroz caro estão insatisfeitos, o governo terá de sair do modo discurso e entrar no modo execução — antes que 2026 vire só uma página amarga da biografia.
