
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, decidiu nesta quinta-feira (5) manter a prisão preventiva de Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e solicitou à Procuradoria-Geral da República (PGR) que se manifeste sobre pedidos de liberdade apresentados por investigados no caso Master. Entre eles estão o próprio Vorcaro, seu pai, Henrique Vorcaro, e seu primo, Felipe Vorcaro.

Fachin rejeitou tanto o pedido de revogação da prisão de Zettel quanto a solicitação de conversão da medida em prisão domiciliar por razões humanitárias. O ministro acompanhou o posicionamento da PGR, que se manifestou contra a soltura, e considerou que a manutenção da custódia continua necessária para preservar a ordem pública, garantir a aplicação da lei penal e evitar interferências na produção de provas.
A defesa de Zettel havia alegado problemas de saúde da esposa do investigado e o nascimento recente dos filhos gêmeos do casal. Para Fachin, porém, os advogados não apresentaram elementos suficientes para demonstrar que a família não dispõe de uma rede de apoio para garantir os cuidados necessários. O empresário permanece preso na Penitenciária II de Potim, no interior de São Paulo.
A Polícia Federal (PF) aponta Zettel como operador financeiro de Vorcaro e integrante de um núcleo responsável pela operacionalização de pagamentos da organização investigada. Ele também é associado à chamada “A Turma”, grupo suspeito de realizar vigilância clandestina, obter informações sigilosas e intimidar pessoas consideradas contrárias aos interesses do ex-controlador do Banco Master.
No mesmo dia, Zettel prestou depoimento à PF por videoconferência. Durante a oitiva, negou conhecer integrantes da “A Turma” e afirmou que sua atuação se limitava à realização de pagamentos, sem questionar a finalidade das transferências.
Pedidos de liberdade
Além de analisar a situação de Zettel, Fachin encaminhou à PGR pedidos de revogação de prisão preventiva de outros investigados. A lista inclui Daniel Vorcaro, Henrique Vorcaro, Felipe Vorcaro, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa, o ex-assessor jurídico de Vorcaro Daniel Monteiro, Victor Lima Sedlmaier, apontado como integrante da “A Turma”, e o policial aposentado Marilson Roseno da Silva.
O ministro também solicitou manifestação do Ministério Público sobre a manutenção de medidas cautelares impostas a Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central, e Ana Claudia Queiroz de Paiva, sócia de uma empresa apontada nas investigações por movimentações financeiras relacionadas ao grupo.
Em relação a Leonardo Augusto Furtado Palhares, sócio de uma empresa ligada a Vorcaro, Fachin manteve o monitoramento por tornozeleira eletrônica. O ministro ressaltou que as medidas cautelares continuam necessárias e que eventuais pedidos de autorização para deslocamentos deverão ser analisados individualmente.
Situação de saúde do pai de Vorcaro
O presidente do STF também determinou que a direção do Complexo Penitenciário Nelson Hungria, em Minas Gerais, apresente, em até três dias, informações sobre as condições de saúde e a assistência médica oferecida a Henrique Vorcaro. A unidade deverá detalhar a disponibilização dos medicamentos prescritos e as providências para realização de exames e tratamentos indicados pelos médicos.
A defesa do empresário voltou a pedir a revogação da prisão preventiva ou a concessão de prisão domiciliar. Um relatório médico, emitido em 28 de outubro, aponta episódios recorrentes de diverticulite aguda, histórico de internações e indicação de cirurgia no cólon.
Henrique está preso desde maio, sob suspeita de integrar o núcleo de coerção e intimidação investigado no caso Master.
