
Voltou a circular nas redes sociais um vídeo em que o ex-presidente Fernando Collor afirma que a proposta de “bloqueio de liquidez”, que resultou no confisco da poupança e das contas correntes durante o Plano Collor, em 1990, partiu de uma sugestão do economista André Lara Resende.

O economista é cotado para assumir o Ministério da Fazenda no quarto governo Lula ou atuar como conselheiro do petista.
O Plano Collor reteve 80% dos depósitos em poupanças e contas correntes dos brasileiros no Banco Central, com a promessa de devolução em 18 meses. A medida foi anunciada em 16 de março de 1990, um dia após a posse de Collor na Presidência. Na época, a inflação anual estava em cerca de 2.000%, e o governo justificou o bloqueio como uma medida para conter a escalada dos preços.
Lara Resende defende que os juros altos, principal ferramenta usada atualmente pelo BC (Banco Central) para conter a inflação, podem, na realidade, elevar os preços. Ele afirma ainda que o problema da dívida pública brasileira está nos juros, e não nos gastos do governo. Sua proposta preocupa o mercado financeiro.
Para ele, é necessário reduzir a taxa Selic de 13,75% para 7,5% em até um ano e, posteriormente, mantê-la em uma faixa entre 3,5% e 5,5%. O economista defende ainda o uso das reservas internacionais, hoje na casa dos US$ 360 bilhões, para conter a alta do dólar em um eventual cenário de fuga de investidores.
O próprio PT já associou Lara Resende ao planejamento do confisco. Em setembro de 2014, o partido publicou em seu site oficial uma reportagem intitulada “Conselheiro de Marina planejou o confisco da poupança por Collor”. Na época, o economista apoiava a candidatura presidencial de Marina Silva.
