
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, informou neste domingo (25) que 1.551 urnas eletrônicas precisaram ser substituídas durante o segundo turno das eleições de 2026. O número corresponde a 0,31% das 499.248 urnas utilizadas no pleito. No balanço final, o magistrado também destacou que a abstenção ficou em 19,21%, abaixo do índice registrado no primeiro turno.

Segundo os dados apresentados pelo presidente da Corte, mais de 128 milhões de eleitores compareceram para votar, de um total superior a 158 milhões de brasileiros aptos. Com 99,9% das urnas apuradas no momento do pronunciamento, Nunes Marques afirmou que a participação eleitoral foi relevante diante das dificuldades de deslocamento relatadas em diferentes regiões do país.
“Esse número é especialmente importante nesta eleição, em que muito se falou sobre a suposta dificuldade do eleitor votar”, declarou. O ministro defendeu a estrutura da Justiça Eleitoral e destacou a existência de mais de 95 mil locais de votação distribuídos pelo território nacional para facilitar o acesso às seções.
O presidente do TSE reconheceu, porém, que a organização dos locais de votação não elimina problemas pontuais, principalmente em grandes centros urbanos e áreas rurais. Ele ressaltou que a legislação eleitoral prevê transporte coletivo gratuito no dia da votação e afirmou que os tribunais regionais têm a responsabilidade de fiscalizar a oferta do serviço, com acompanhamento do TSE e da Corregedoria-Geral Eleitoral.
A discussão sobre o transporte ganhou relevância durante o segundo turno após denúncias de redução na circulação de ônibus em cidades como Salvador e São Paulo. O cenário levou a campanha de Lula a pedir a ampliação do horário de votação, medida autorizada pelo ministro do STF Cristiano Zanin e cumprida pelo TSE nas seções que ainda estavam abertas.
Nunes Marques afirmou que a Justiça Eleitoral continuará apurando eventuais falhas na oferta de transporte e destacou que a gestão do processo eleitoral é atribuição constitucional da instituição. Ao tratar da decisão judicial que prorrogou o horário, o ministro afirmou que a execução exigiu medidas técnicas extraordinárias, mas garantiu que a totalização foi retomada sem alteração nos resultados.
Inclusão e participação
O presidente do TSE também classificou as eleições de 2026 como um marco de ampliação da participação política de grupos historicamente sub-representados. Segundo ele, a Justiça Eleitoral adotou medidas voltadas à inclusão de mulheres, pessoas negras, indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.
Na avaliação de Nunes Marques, os esforços envolveram tanto o acesso às candidaturas quanto a criação de condições para que mais cidadãos conseguissem exercer o direito ao voto. Ele citou o programa “Seu Voto Importa” entre as iniciativas destinadas a ampliar a participação eleitoral.
O ministro também informou que o TSE recebeu 2.265 processos originários relacionados às eleições de 2026, incluindo representações e pedidos de direito de resposta. Para ele, o volume de ações evidencia a pressão sobre a Justiça Eleitoral durante as disputas e a necessidade de aprimorar os procedimentos sem comprometer as garantias processuais.
Nunes Marques afirmou que o desafio para os próximos ciclos será acelerar a análise das demandas e organizar melhor os fluxos de trabalho, preservando o contraditório, a fundamentação das decisões e o devido processo legal.
Ao encerrar o pronunciamento, o presidente agradeceu aos ministros do TSE, aos magistrados e servidores dos tribunais regionais, aos mesários, aos voluntários, às forças de segurança, aos partidos políticos e às entidades responsáveis pela fiscalização. Também destacou a presença de observadores nacionais e internacionais, que acompanharam procedimentos de votação, auditoria e fiscalização.
O balanço foi apresentado após um segundo turno marcado pela disputa presidencial entre Lula (PT), que foi reeleito, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), além de eleições para governos estaduais em cinco estados e no Distrito Federal.
