
O presidente Lula (PT) atacou nesta quarta-feira (30) o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e afirmou que o adversário “nunca trabalhou na vida” e chegou à política com apoio do crime organizado e de milicianos no Rio de Janeiro. A declaração foi feita durante entrevista a influenciadores.

“Qual o compromisso com qualquer seriedade que esse cara [Flávio] tem? Nenhuma, nenhum. Ele não tem biografia. Ele nunca trabalhou na vida. Ele foi eleito vereador com 21 anos de idade, já apoiado pelo crime organizado do Rio de Janeiro, pelos milicianos, e nunca mais parou”, afirmou Lula.
Apesar de Lula ter mencionado que Flávio foi eleito vereador aos 21 anos, o primeiro cargo eletivo do senador foi o de deputado estadual do Rio de Janeiro, em 2002. Ele assumiu o mandato em 2003. A afirmação sobre suposto apoio do crime organizado foi feita pelo presidente durante a entrevista, sem que ele apresentasse, naquele momento, elementos específicos para sustentá-la.
Lula questiona trajetória de Flávio
Na entrevista, o presidente também questionou o histórico profissional do adversário e afirmou que Flávio não teria conteúdo ou propostas para a disputa presidencial.
“Eu queria que alguém me dissesse o que esse cara tem para oferecer no presente e no futuro. Nada, nada, não tem conteúdo, não tem nada para oferecer”, declarou.
Lula ainda criticou eleitores com formação universitária que apoiam o bolsonarismo. Segundo o presidente, ele se pergunta “o que esse cara espera da vida?” e “o que esse cara aprendeu de política na vida?” quando vê economistas, cientistas e outros profissionais graduados votando em candidatos ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Críticas a Jair Bolsonaro
Lula também direcionou ataques ao ex-presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio, ao comparar as trajetórias políticas dos dois.
“O pai [Jair Bolsonaro] nunca trabalhou. O pai foi para o Exército, tentou estourar um quartel, foi expulso e foi fazer o quê? Foi ser deputado, 29 anos vivendo de deputado”, afirmou.
O presidente disse ainda que o aumento do apoio ao bolsonarismo entre eleitores mais escolarizados seria motivo de questionamento. Na avaliação apresentada por Lula, “quanto menos ele oferece, mais os bolsonaristas são fanáticos”.
Acusações sobre milícias
A declaração desta quarta-feira ocorre depois de Lula já ter associado Flávio a grupos criminosos durante a campanha. Em 24 de setembro, o presidente publicou nas redes sociais uma peça que questionava se seria possível confiar em quem “está do lado do crime organizado”. O conteúdo fazia referência a uma reportagem sobre uma emenda parlamentar destinada a um projeto esportivo no Rio.
Em resposta a uma declaração anterior de Lula sobre supostas ligações com milícias, Flávio negou o vínculo e afirmou que, se eleito, pretende classificar facções criminosas e milícias como grupos terroristas.
