
A dívida do setor público consolidado subiu para 82,9% do PIB em agosto, informou o Banco Central (BC) nesta manhã (30). O percentual representa alta de 0,2 ponto percentual em relação ao mês anterior e corresponde a R$ 11,05 trilhões, o maior nível desde março de 2021, quando a dívida estava em 85,1% do PIB.

O avanço ocorreu em um mês no qual as contas do setor público consolidado registraram déficit primário de R$ 10 bilhões. No acumulado do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a dívida aumentou 11,2 pontos percentuais do PIB em pouco mais de três anos.
Em agosto, o governo federal teve resultado negativo de R$ 14,7 bilhões. Estados e municípios registraram superávit de R$ 2,7 bilhões, enquanto as empresas estatais apresentaram superávit de R$ 2 bilhões.
Apesar do resultado negativo, houve melhora em relação a agosto do ano passado, quando o setor público consolidado havia registrado déficit de R$ 17,3 bilhões.
Nos oito primeiros meses deste ano, o déficit primário acumulado chegou a R$ 88,9 bilhões, equivalente a 1% do PIB. No mesmo período de 2025, o resultado negativo havia sido de R$ 61,8 bilhões, ou 0,74% do PIB.
Considerando apenas o governo federal, o déficit acumulado até agosto foi de R$ 97,1 bilhões, contra R$ 84,6 bilhões registrados nos oito primeiros meses de 2025.
A meta fiscal para este ano prevê saldo negativo de 0,25% do PIB, equivalente a cerca de R$ 34,3 bilhões. O arcabouço fiscal estabelece uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual em relação à meta central.
Com essa regra, a meta é considerada cumprida caso o resultado fique em zero ou registre superávit de R$ 68,6 bilhões. A legislação permite, porém, a exclusão de R$ 67,3 bilhões em despesas do cálculo, incluindo recursos destinados ao pagamento de precatórios, defesa e educação.
Quando são considerados também os juros da dívida, no chamado resultado nominal, o setor público registrou déficit de R$ 116 bilhões em agosto. No acumulado de 12 meses até agosto, o resultado nominal negativo chegou a R$ 1,26 trilhão, equivalente a 9,48% do PIB.
O resultado nominal é influenciado pelo desempenho mensal das contas públicas, pelas operações do BC no câmbio e pelos juros básicos da economia, definidos pela instituição para controlar a inflação. A taxa Selic está atualmente em 13,75% ao ano.
Em 12 meses até agosto, as despesas com juros nominais somaram R$ 1,18 trilhão, o equivalente a 8,86% do PIB, segundo o Banco Central.
