
O governo federal marcou para amanhã (29) uma reunião com representantes de clubes de futebol para discutir os impactos da medida provisória (MP) de Lula (PT) que proibiu as bets no país. O encontro será conduzido pelo Ministério do Esporte e ocorre após a reação dos clubes aos impactos milionários da decisão sobre contratos de patrocínio e receitas do futebol.

A reunião também acontece enquanto o Ministério da Fazenda planeja uma linha de crédito de até R$ 20 bilhões do dinheiro público para tentar ajudar os clubes e as Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) com o fim das bets, de acordo com o UOL. O programa não prevê perdão de dívidas dos clubes, segundo o site.
A ideia em discussão é permitir que clubes e SAFs substituam passivos mais caros, como dívidas trabalhistas, débitos com a Receita Federal, o INSS e o FGTS, além de empréstimos bancários, por financiamentos de longo prazo.
A MP que proibiu sites e aplicativos de bets foi publicada na sexta (25) e é mais uma medida eleitoreira de Lula na tentativa de alavancar sua popularidade e melhorar seu desempenho nas pesquisas. As empresas terão até 6 de outubro para sair do ar. Já os apostadores poderão resgatar valores disponíveis nas plataformas até 5 de outubro.
A proibição atinge diretamente uma das principais fontes de receita dos clubes brasileiros. Em 2025, as empresas de apostas desembolsaram R$ 1,143 bilhão em patrocínios aos 20 clubes de maior receita do país, segundo levantamento da Sports Value.
Na Série A, 14 clubes têm ao menos uma casa de apostas como patrocinadora principal. Entre os 20 participantes da competição, apenas seis não estampam alguma marca do setor nas camisas.
O impacto financeiro pode ser ainda maior por causa dos valores dos contratos. O Flamengo recebe R$ 268,5 milhões por ano da Betano. A empresa também patrocina o Campeonato Brasileiro, o que pode afetar as receitas da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Corinthians e Palmeiras aparecem na sequência, com acordos com outras bets de R$ 150 milhões e R$ 100 milhões, respectivamente.
No Flamengo, a possível perda já foi estimada pelo presidente do clube, Luiz Eduardo Baptista, o Bap. Em entrevista à CNN Brasil, ele calculou uma redução de até R$ 430 milhões nas receitas: “Isso traria impactos desastrosos para o Flamengo como um todo, não só no futebol, mas também nos esportes olímpicos. A gente estima que as perdas imediatas de receita para o ano que vem sejam de R$ 400 milhões a R$ 430 milhões e, sem um preparo prévio, é absolutamente impossível que você consiga estancar essa sangria”.
Na reunião de terça, o governo deverá ouvir as demandas dos clubes e discutir alternativas para reduzir os prejuízos decorrentes do fim dos contratos com empresas de apostas. A medida abre ainda uma discussão sobre os compromissos já firmados entre os times e as plataformas.
Além da MP, o governo enviou ao Congresso Nacional um projeto de lei para criminalizar a exploração, a operação e a divulgação de apostas de quota fixa. A proposta ainda precisa ser aprovada pelos parlamentares e sancionada pelo presidente da República para entrar em vigor.
Pelo texto, explorar ou operar as chamadas ‘apostas de quota fixa’, por qualquer meio, passará a ser crime punido com reclusão de 4 a 6 anos, além de multa. A punição será aplicada mesmo que o agente tenha autorização de uma autoridade estrangeira.
