
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça rebateu, em manifestação encaminhada ao presidente da Corte, Edson Fachin, as acusações feitas contra ele por Alexandre de Moraes no âmbito do Inquérito das Fake News. Ele contestou ponto a ponto a representação do colega e pediu o arquivamento do caso.
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No documento, obtido em primeira mão por este site, o ministro também pediu a abertura de uma investigação sobre os dossiês ilegais da Polícia Federal (PF), usados por Moraes para atacá-lo, acesso ao Inquérito das Fake News e que o colega seja investigado por crimes de abuso de autoridade e denunciação caluniosa.
Moraes decidiu partir para cima de Mendonça e o acusou de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade após a revelação de mensagens impróprias entre o próprio Moraes e Daniel Vorcaro, obtidas pela PF.
Mendonça foca, no decorrer da peça, em desconstruir um a um os três pilares da acusação de Moraes: a suposta interferência na produção de provas, a alegada atuação irregular em delações premiadas e o direcionamento de investigações contra alvos políticos e o próprio magistrado.
Na manifestação, o ministro do Supremo sustenta que Moraes utilizou os relatórios como se fossem elementos de prova. Segundo ele, as informações reunidas nas peças são “meros relatos unilaterais” de integrantes da PF, com impressões e opiniões sobre trabalhos realizados pelos próprios policiais nas operações:
“As “informações” ali contidas não passam de meros relatos unilaterais de membros da instituição, expondo impressões e opiniões sobre os trabalhos por eles próprios realizados no âmbito das operações “Sem Desconto” e “Compliance Zero”. Para piorar, a leitura atenta dos relatórios identificados como “DOC. 4” e “DOC. 3” evidenciam a nítida tentativa de descredibilizar o trabalho da equipe policial originalmente responsável pela condução da operação “Sem Desconto””, diz o ministro em trecho do documento.
A “Sem Desconto” investiga o roubo de aposentados e pensionistas do INSS, enquanto a “Compliance Zero” investiga o Banco Master, de Daniel Vorcaro.

Segundo os próprios documentos, o material usado por Moraes para atacar Mendonça não tinha valor probatório e era destinado a subsidiar decisões em um contexto de informações incompletas.
“A situação se torna ainda mais constrangedora quando se verifica que, na tentativa de agudizar a gravidade dos relatos ali contidos, o Ministro Alexandre de Moraes distorce o teor do “documento”, para imputar falsamente a este Ministro a prática de comportamentos que os próprios “relatórios” atribuem às equipes policiais envolvidas”, continua Mendonça.

“Nesse cenário, com todas as vênias, não é este Ministro aquele quem deveria ter sido incluído naquela interminável investigação, que se arrasta por mais de sete anos”.
