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Direita alemã conquista vitória histórica em eleição regional
Publicado em 07/09/2026 11:24
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O partido Alternativa para a Alemanha (AfD) venceu no domingo (06) a eleição estadual na Saxônia-Anhalt, no leste da Alemanha, com cerca de 44% dos votos. O desempenho representa um resultado histórico para a legenda de direita, mas não garante o comando do governo estadual.

Alemanha - Direita alemã conquista vitória histórica em eleição regional

A formação do Parlamento será decisiva para determinar se a AfD terá maioria para governar. Por isso, a vitória não assegura que Ulrich Siegmund, líder da sigla no estado, assumirá como ministro-presidente, cargo equivalente ao de governador no Brasil.

 

A eleição foi restrita ao estado e não altera a composição do governo federal. A próxima disputa pelo Parlamento Federal, responsável por definir o governo nacional, está prevista para 2029.

 

 

O resultado também representa um duro revés para o chanceler Friedrich Merz e sua União Democrata Cristã (CDU), que ficou atrás da AfD na votação regional. Nesta segunda (07), Merz afirmou estar “profundamente chocado” com a vitória da legenda.

 

A insatisfação com o governo Merz pesou sobre a eleição. Segundo pesquisa da emissora ARD, 87% dos eleitores da Saxônia-Anhalt disseram estar insatisfeitos com a administração de Merz. Para Marcel Fratzscher, presidente do Instituto Alemão de Pesquisa Econômica, o resultado reflete principalmente a rejeição ao governo do chanceler.

 

A votação reforça a força da AfD no leste alemão. Com pouco mais de 2 milhões de habitantes, a Saxônia-Anhalt pertenceu à Alemanha Oriental durante a divisão do país e está entre os principais redutos eleitorais da legenda.

 

Criada em 2013, a AfD também avançou nas eleições estaduais realizadas neste ano em regiões do oeste da Alemanha. A sigla aparece atualmente à frente dos partidos tradicionais em pesquisas de intenção de voto para uma eventual eleição nacional.

 

A imigração ocupa posição central no programa da AfD. A legenda defende regras mais rígidas para entrada e permanência de estrangeiros, aumento das deportações e uma política de “remigração”, termo utilizado pelo partido para defender o retorno de imigrantes aos países de origem. Também propõe mudanças nas políticas de integração e medidas mais restritivas para solicitantes de asilo.

 

Na educação, o partido defende alterações nas regras de frequência escolar e a possibilidade de ensino domiciliar. Entre as propostas está a criação de turmas específicas para crianças refugiadas e a reformulação do conteúdo escolar, com maior ênfase na identidade e na cultura alemãs.

 

Na área energética, a AfD quer reverter parte das políticas climáticas adotadas pela Alemanha, ampliar o uso de combustíveis fósseis e retomar a energia nuclear. A legenda também defende reduzir a atuação das emissoras públicas e limitar seu funcionamento a um serviço considerado básico.

 

 

Na política externa, a AfD propõe interromper a ajuda militar à Ucrânia, suspender as sanções contra Moscou e retomar a compra de energia russa, considerada pelo partido mais barata. A legenda atribui parte dos prejuízos sofridos pela indústria alemã à suspensão das importações de energia russa após a invasão da Ucrânia em 2022.

 

O partido também mantém uma posição crítica à UE e defende devolver aos países-membros parte das competências atualmente concentradas no bloco.

 

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