
O presidente Lula (PT) afirmou, nesta quinta-feira (27), que não vai interferir na Polícia Federal (PF) para proteger o filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

“Não haverá da parte do presidente da República 1 milímetro de movimento para proteger o meu filho”, declarou durante a sabatina no Jornal Nacional.
A promessa ocorre depois de uma mudança no comando da investigação sobre as fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que também alcançou Lulinha. Em maio, a Polícia Federal (PF) trocou o delegado Alessandro Nunes, então responsável pela coordenação dos inquéritos da Operação Sem Desconto, que trata das apurações sobre os descontos indevidos em aposentadorias e pensões. A alteração provocou questionamentos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator de parte das investigações.
Na época, a PF informou ao STF que a substituição teve caráter administrativo e ocorreu a pedido do próprio delegado.
“Vazando as coisas”
Na entrevista, Lula afirmou que Lulinha deverá responder caso a investigação encontre provas de crime.
O presidente também afirmou esperar que a PF, o Ministério Público e a Justiça cumpram suas funções. Ao mesmo tempo, criticou a divulgação de informações da investigação e disse que a PF estaria “vazando as coisas” relacionadas ao caso.
As apurações sobre Lulinha avançaram depois que a PF analisou mensagens encontradas no celular da empresária e lobista Roberta Luchsinger. O material reúne conversas sobre negócios e contatos com integrantes do governo. Atualmente, Lulinha é alvo de três inquéritos relacionados à apuração de possível tráfico de influência.
Uma das frentes envolve tratativas para negócios com o Ministério da Saúde, incluindo propostas relacionadas a medicamentos à base de cannabis. Outra apuração trata de negociações envolvendo a Dataprev.
