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Luchsinger, Marcola e o contrato de R$ 626 mi sem licitação
Publicado em 20/08/2026 11:48
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A lobista Roberta Luchsinger enviou a Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, enquanto ele era chefe de gabinete de Lula (PT), uma minuta de contrato para a venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde, em um negócio estimado em até R$ 626 milhões.

Luchsinger, Marcola e o contrato de R$ 626 mi sem licitação

O plano, obtido pelo jornal O Globo, previa o fornecimento de 1,2 milhão de frascos de 36 tipos de medicamentos sem licitação. O documento foi localizado nos celulares de Luchsinger, amiga íntima de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”. Os três são investigados pela Polícia Federal (PF) por suspeita de tráfico de influência.

 

De acordo com apuração da PF, Luchsinger teria sido contratada pelo “Careca do INSS” para viabilizar a compra de canabidiol pelo governo Lula e teria contado com a intermediação de Lulinha. Mensagens trocadas entre os investigados por WhatsApp confirmam, segundo a corporação, o envio da minuta a Marcola.

 

 

Antes de chegar ao ex-assessor de Lula, a proposta teria sido estruturada pela equipe de Antunes, que está preso por envolvimento no esquema bilionário que roubou aposentados e pensionistas do INSS.

 

O negócio também foi citado em depoimento à PF por uma testemunha ligada à World Cannabis, empresa pertencente ao Careca. Além disso, os investigadores apreenderam nos celulares dos investigados versões de um “termo de referência”, documento usado para orientar contratações públicas.

 

A principal suspeita da PF é que o grupo pretendia entregar o documento pronto ao Ministério da Saúde para “influenciar” e “acelerar” a publicação do ato de compra.

 

Áudios e mensagens obtidos pela investigação mostram Luchsinger e Antunes discutindo a operação com base na possibilidade de dispensa de licitação. Em uma das gravações, a empresária sugere usar dispositivos da Nova Lei de Licitações para criar um “cenário de emergência” e justificar a contratação direta.

 

As investigações também indicam que Antunes procurou fornecedores de medicamentos nos EUA e na Colômbia. O “Careca” também teria informado a interlocutores que faria reuniões com técnicos do Ministério da Saúde.

 

A PF investiga se Lulinha cometeu tráfico de influência em negociações com órgãos do governo Lula (PT) e com o Palácio do Planalto. O empresário é alvo de três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF). Dois estão sob relatoria do ministro André Mendonça e um, do ministro Flávio Dino.

 

Em 30 de julho, Mendonça autorizou a abertura de um inquérito para apurar suspeitas de tráfico de influência em negociações envolvendo o Ministério da Saúde. Segundo a PF, Lulinha teria atuado em favor de interesses ligados a Antunes.

 

 

No dia seguinte, o ministro autorizou um segundo inquérito. O procedimento apura se Lulinha teria favorecido empresários interessados em negócios com a Dataprev e outros órgãos do governo federal.

 

O terceiro inquérito, autorizado por Dino, envolve a empresa de tecnologia 3Structure It LTDA. A companhia possui contratos de R$ 50 milhões com o governo federal e pertence a um amigo de Lulinha.

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