
O presidente Lula (PT) passou a sofrer “pressão” de petistas para assumir publicamente o compromisso de manter o arcabouço fiscal em um eventual 4º mandato. A informação é do jornal Folha de S. Paulo, e o movimento ocorre em meio à escalada da dívida pública brasileira.

Os números divulgados no dia 31 do mês passado aceleraram o debate entre os articuladores da pré-campanha presidencial. Ao longo de 3 anos e meio do governo Lula 3, a dívida bruta brasileira aumentou 10,2 pontos percentuais e chegou a 81,9% do PIB em junho deste ano. O estoque alcançou R$ 10,8 trilhões.
A pressão por uma sinalização pública de Lula em favor de um ajuste fiscal, antes restrita a uma ala do PT, ganhou novos adeptos, segundo a Folha. Aliados do presidente afirmaram ao jornal que ele está cada vez mais convencido da necessidade de um ajuste mais rigoroso nas contas públicas a partir do ano que vem.
Parte dos aliados de Lula “defende que essas propostas sejam colocadas em prática já neste ano, depois da eleição, caso o chefe do governo seja reeleito”. Outro grupo, que não integra o círculo mais próximo do petista, “defende que ele tenha reuniões presenciais com representantes do mercado financeiro para acalmar os operadores”.
A cobrança ocorre enquanto o governo tenta sustentar o discurso de responsabilidade fiscal apesar da deterioração das contas públicas. Na última sexta (07), a chapa Lula-Alckmin protocolou o programa do futuro governo petista.
O documento defende a continuidade da estratégia fiscal adotada no atual mandato e apresenta o novo “arcabouço fiscal” como instrumento para controlar o crescimento das despesas sem interromper a recomposição dos gastos sociais.
O programa afirma ainda que a gestão promoveu uma reorganização fiscal, restabeleceu os pisos constitucionais de saúde e educação e adotou medidas de recomposição e justiça tributária.
A proposta também prevê a manutenção da combinação entre responsabilidade fiscal, proteção social e mudanças na estrutura tributária. A defesa de um ajuste mais rigoroso, porém, ocorre diante de uma trajetória de alta da dívida durante o atual mandato devido às políticas do governo petista.
