
Deputados e senadores paraguaios reagiram às declarações do Lula sobre a Guerra da Tríplice Aliança e o acusaram de distorcer a história do conflito. A manifestação ocorreu após o petista afirmar que a guerra começou quando o Paraguai “decidiu invadir o Brasil”.

A declaração foi feita na última sexta-feira (24), durante visita à Avibras Aeroespacial, em Jacareí (SP), quando Lula defendeu investimentos na indústria de defesa e no fortalecimento das Forças Armadas.
O presidente da Câmara dos Deputados do Paraguai, Raúl Latorre, divulgou um comunicado institucional criticando a fala do presidente brasileiro.
“Lula, você está falando com demasiada leveza sobre a maior tragédia da nossa história, o maior genocídio do nosso continente”, afirmou.
Segundo Latorre, a Guerra da Tríplice Aliança começou com a intervenção militar do Brasil no Uruguai e deixou o Paraguai devastado, com a perda de cerca de 60% da população e de aproximadamente 90% da população masculina.
O parlamentar também relembrou uma declaração anterior de Lula sobre a guerra na Ucrânia.
“Você já disse uma vez que iria acabar com a guerra na Ucrânia ‘com uma cervejinha’. Hoje, volta a falar de forma leviana sobre conflitos armados na América; se suas ‘jabuticabas’ acabaram, podemos te enviar algumas. Nós conhecemos o verdadeiro valor da paz, porque a pagamos com nosso sangue.”
Lula defendeu fortalecimento das Forças Armadas
Durante o discurso em São Paulo, Lula afirmou que o Brasil precisa manter capacidade de defesa diante do cenário internacional.
Segundo o presidente, “há loucos pelo mundo querendo fazer guerra” e, por isso, é necessário possuir “poderio armamentista” para preservar a paz.
Na sequência, declarou:
“Nós gostamos da paz, mas não podemos esquecer que, certa vez, o Paraguai decidiu invadir o Brasil. Invadiu Corumbá e, ao mesmo tempo, invadiu o Uruguai e a Argentina. E essa guerra, que parecia que não seria grande coisa, durou cinco anos.”
Reações de parlamentares paraguaios
As declarações também provocaram manifestações de outros integrantes do Congresso paraguaio.
O deputado Rubén Rubín afirmou que Lula tenta “distorcer a história”.
“Um povo que esquece sua história permite que outros a reescrevam conforme lhes convém. E é exatamente isso que Lula tenta fazer.”
A senadora Esperanza Martínez classificou as declarações como “resquícios do imperialismo que tentam ocultar uma guerra criminosa e uma política histórica de domínio e abuso por parte da elite brasileira”.
Já o senador e historiador Eduardo Nakayama afirmou que Lula deixou de mencionar que a intervenção militar do Império do Brasil no Uruguai antecedeu a campanha militar paraguaia em Mato Grosso, episódio que, segundo ele, desencadeou a guerra.
A senadora Celeste Amarilla também criticou o presidente brasileiro nas redes sociais, enquanto o ex-goleiro da seleção paraguaia José Luis Chilavert afirmou que Lula “não sabe nada de história e, como todo o esquerdista corrupto, mente”.
Contexto histórico
A Guerra da Tríplice Aliança foi travada entre 1864 e 1870, envolvendo Paraguai, Brasil, Argentina e Uruguai. Parte da historiografia aponta que a intervenção militar brasileira no Uruguai, em 1864, contribuiu para a escalada da crise regional.
Posteriormente, o Paraguai apreendeu o navio brasileiro Marquês de Olinda e invadiu a então província de Mato Grosso. Em seguida, Brasil, Argentina e Uruguai formaram a Tríplice Aliança, que derrotou o Paraguai em 1870 após a morte de Francisco Solano López.
