
A Petrobras colocou na praça um edital para a contratação de até três agências de publicidade, que dividirão uma conta de R$ 910 milhões. Trata-se de um recorde em gastos com comunicação. O resultado da licitação será conhecido no final do mês, mas já vem movimentando o mercado publicitário. Os serviços deverão ser prestados a partir de janeiro de 2027, ou seja, no novo governo que será eleito em outubro.

De acordo com o edital, o objetivo é “consolidar a imagem da Petrobras como uma empresa brasileira de energia, referência em inovação e comprometida com o desenvolvimento sustentável do país”. As propostas devem “apresentar a Petrobras como a empresa que mais representa o Brasil, ressaltando o orgulho e a origem brasileira da Companhia, evitando o ufanismo, trazendo a brasilidade como parte criativa da Comunicação”.
A ideia, ainda segundo o documento, é “reforçar os vínculos afetivos da opinião pública com a Petrobras, evitando o apelo histórico e saudosista”. “Buscando conectar com uma audiência mais jovem, em especial, a geração Z. Ou seja, reafirmar a Petrobras como uma marca contemporânea, relevante e desejada pelas novas gerações. Realçar a competência que a Petrobras tem em desenvolver tecnologia.”
Nos bastidores, essa busca por reforçar “os vínculos afetivos” da sociedade com a companhia está sendo interpretada como uma blindagem contra eventuais tentativas de privatização, caso o Brasil eleja um governo de direita. Em 2022, Paulo Guedes, então ministro da Economia, chegou a dizer publicamente que desejava privatizar a Petrobras num segundo mandato de Jair Bolsonaro e torcia pela eleição de um Congresso de centro-direita.
Flávio Bolsonaro, porém, tem defendido a venda apenas de subsidiárias e ativos dentro da própria Petrobras. Ele se diz contra a privatização total da estatal, especialmente o segmento de combustíveis. A prioridade do 01, caso eleito, será privatizar os Correios, empresa que deu lucro na gestão do seu pai, mas que entrou numa espiral vermelha com Lula, acumulando um rombo superior a R$ 12 bilhões.
Neste mês, a Petrobras lançou também um novo edital para a área cultural, destinando R$ 270 milhões, via Lei Rouanet.
