
Os gastos com publicidade do governo federal e das estatais ultrapassaram R$ 4,1 bilhões nos dois primeiros anos do terceiro mandato do Lula, segundo levantamento feito pela equipe deste site com base em dados oficiais.

A maior parte dos recursos continua concentrada nas empresas estatais, enquanto a administração direta ampliou investimentos em campanhas institucionais e publicidade digital.
Levantamento consolidado aponta que governo federal e estatais investiram pelo menos R$ 4,1 bilhões em publicidade entre 2023 e 2024.
O volume inclui campanhas institucionais da Presidência da República, ministérios e empresas públicas como Petrobras, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e BNDES.
Os dados indicam uma média próxima de R$ 2 bilhões por ano destinados à comunicação governamental.
Sem considerar as estatais, os pagamentos realizados pela União na principal ação orçamentária de Publicidade de Utilidade Pública registraram crescimento nos últimos anos.
Os valores pagos foram:
2023: R$ 236,5 milhões;
2024: R$ 342,8 milhões;
2025: R$ 341,9 milhões.
Informações do Sistema de Comunicação de Governo (Sicom) mostram que, ao longo de 2025, o Executivo federal chegou a empenhar mais de R$ 528 milhões em campanhas relacionadas a programas sociais, ações governamentais e medidas fiscais.
A principal mudança observada na estratégia de comunicação ocorreu a partir do final de 2024.
O governo passou a direcionar parcela crescente dos recursos para campanhas digitais, reduzindo gradualmente a dependência histórica dos meios tradicionais.
Os gastos da Secretaria de Comunicação Social (Secom) com publicidade na internet saltaram de R$ 33 milhões em 2024 para cerca de R$ 69 milhões em 2025.
O crescimento foi de aproximadamente 110% em um ano.
Big Techs concentram maior parte da verba digital
A maior fatia dos investimentos digitais é direcionada para plataformas como Google, YouTube, Facebook, Instagram e TikTok.
Os recursos são utilizados para compra de mídia programática, impulsionamento de conteúdos, anúncios patrocinados e divulgação de campanhas institucionais.
Em uma das principais ações de comunicação de 2025, relacionada à ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, dados da Meta apontaram investimento aproximado de R$ 8,4 milhões em apenas 30 dias.
Também houve expansão significativa dos recursos destinados ao Google. Em determinadas frentes, os investimentos digitais já alcançaram volumes comparáveis aos de veículos tradicionais de comunicação.
Influenciadores ganham espaço na estratégia
Além da compra direta de anúncios nas plataformas, o governo ampliou o uso de influenciadores digitais para divulgação de campanhas oficiais.
A estratégia passou por reformulação ao longo de 2025 e deixou de focar apenas em grandes nomes das redes sociais.
A nova linha adotada priorizou influenciadores de médio alcance e personalidades fora do ambiente político, com o objetivo de ampliar o alcance das mensagens institucionais.
Campanhas sobre programas federais, saúde pública, renegociação de dívidas e medidas tributárias passaram a utilizar criadores de conteúdo para adaptar a linguagem oficial a diferentes públicos.
Quanto foi gasto em 2026
Os números deste ano ainda são parciais porque parte dos contratos segue em execução.
Até o momento, o Portal da Transparência registra R$ 66,5 milhões pagos na ação de Publicidade de Utilidade Pública.
O valor não contempla a totalidade da publicidade institucional da Presidência da República, nem os investimentos realizados pelas grandes estatais federais, cujos resultados são divulgados em balanços periódicos.
A tendência observada desde 2024 aponta para continuidade da expansão das campanhas digitais e do aumento da participação das plataformas tecnológicas na distribuição da verba publicitária federal.
A reportagem procurou a Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República para comentar os dados e esclarecer os critérios de distribuição das verbas publicitárias. Até a publicação desta matéria, não houve retorno.
