
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou em entrevista recente à Jovem Pan News que as empresas brasileiras que migraram para o Paraguai teriam deixado o país durante o governo Jair Bolsonaro. Os dados disponíveis sobre o regime de maquila paraguaio, porém, mostram que o movimento é anterior e se consolidou ao longo de diferentes governos brasileiros.

Durante a entrevista, Haddad declarou que “as empresas saíram para o Paraguai no governo Bolsonaro” e que “o governo Bolsonaro formou êxodo de empresas para o Paraguai”.
Os números oficiais do país vizinho indicam que a atração de empresas brasileiras começou anos antes e se tornou uma tendência contínua da indústria nacional.
Migração começou antes de Bolsonaro
O regime de maquila do Paraguai foi criado pela Lei 1.064/97, mas ganhou força a partir do final dos anos 2000, quando empresas brasileiras passaram a instalar unidades produtivas no país para aproveitar custos menores de produção.
Levantamentos do governo paraguaio mostram que o número de empresas brasileiras instaladas sob o regime cresceu de forma consistente durante os governos Lula, Dilma Rousseff, Michel Temer, Jair Bolsonaro e Lula.
Em 2015, ainda durante o governo Dilma, havia cerca de 40 empresas brasileiras operando sob o sistema de maquila.
Atualmente, o número supera 230 indústrias brasileiras instaladas no Paraguai, crescimento superior a 400% em aproximadamente uma década.
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Diante dessa linha do tempo, não há evidências de que o fenômeno tenha começado durante o governo Bolsonaro.
