
Segundo a Polícia Civil, há suspeitas de superfaturamento, pagamentos irregulares e possível desvio de recursos públicos. Os investigadores apuram se parte dos valores destinados ao programa de conectividade teria sido direcionada à Go Up Entertainment, responsável pela produção do longa-metragem.

A operação foi autorizada pela Vara de Garantias do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Entre as diligências estão buscas por documentos, registros financeiros e movimentações patrimoniais ligadas às entidades investigadas.
De acordo com a apuração policial, o Instituto Conhecer Brasil venceu o chamamento público mesmo sem histórico relevante na área de telecomunicações. Os investigadores apontam que a atuação anterior da entidade estava concentrada em eventos culturais, feiras literárias e atividades sociais.
Outro ponto sob análise envolve os valores contratados. A polícia sustenta que o custo previsto no contrato superava parâmetros praticados por órgãos públicos em serviços semelhantes. Enquanto a empresa municipal Prodam cobraria cerca de R$ 306 mensais por ponto de acesso, o contrato firmado com o instituto previa pagamento de R$ 1.800 por unidade instalada.
A execução do programa também passou a ser questionada. O acordo previa a implantação de 5 mil pontos de Wi-Fi. Segundo os investigadores, aproximadamente 3.200 teriam sido entregues.
A polícia ainda apura indícios de antecipação de cerca de R$ 26 milhões sem comprovação integral dos serviços contratados. Há suspeita de que pagamentos tenham sido realizados considerando estruturas que ainda não estariam em funcionamento.
Em documentos encaminhados à Justiça, os investigadores afirmam existir “consistentes suspeitas de confusão patrimonial” entre o instituto e a produtora. O relatório também aponta a hipótese de que recursos do programa “WiFi Livre SP” tenham sido utilizados para custear atividades ligadas à produção do filme.
Conforme revelado anteriormente pela Folha de S.Paulo, a Polícia Civil já havia solicitado acesso aos dados financeiros de Karina Ferreira da Gama e da Go Up Entertainment no âmbito da investigação.
O filme Dark Horse ganhou repercussão nacional após vir à tona a existência de repasses milionários relacionados ao projeto. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) admitiu ter buscado apoio financeiro junto ao banqueiro Daniel Vorcaro para a produção do longa. Ele nega qualquer irregularidade e afirma que não houve utilização de recursos públicos.
Em manifestações anteriores, Karina Ferreira da Gama negou que a produção do filme tenha recebido verbas públicas ou privadas de origem brasileira. Também afirmou que o contrato firmado com a Prefeitura de São Paulo não possui qualquer ligação com o projeto cinematográfico.
Em nota, a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) informou que está colaborando com as investigações e que já forneceu às autoridades todas as informações solicitadas. A prefeitura afirmou ainda que não identificou irregularidades na execução do contrato até o momento e ressaltou que a contratação do instituto ocorreu antes do início da produção do filme.
Segundo a administração municipal, dos 3.200 pontos de internet instalados, apenas 52 estavam fora de operação nesta segunda-feira por motivos de manutenção.
