
A decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas provocou reações opostas entre parlamentares da oposição e aliados do governo Lula. Enquanto integrantes do PL e aliados de Flávio Bolsonaro comemoraram a medida, governistas criticaram a iniciativa e falaram em ameaça à soberania nacional.

O anúncio foi feito pelo Departamento de Estado dos EUA, que enquadrou as duas facções como “Organizações Terroristas Estrangeiras” (FTOs) e “Terroristas Globais Especialmente Designados” (SDGTs). Segundo o governo americano, PCC e CV estão entre as organizações criminosas mais violentas do Brasil, comandam milhares de integrantes e promovem “ataques brutais” contra policiais, autoridades públicas e civis. A inclusão na lista de organizações terroristas entra em vigor em 5 de junho.
Um dia após o anúncio, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) atribuiu o resultado à recente viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos. Em entrevista, afirmou que o irmão “marcou um grande gol” e sugeriu que novas medidas envolvendo Brasil e EUA poderão ser anunciadas nos próximos meses.
“O Flávio Bolsonaro marcou um grande gol. Flávio teve, em dois dias de viagem, um resultado muito satisfatório e eu vou cravar que não vai parar por aí. Mais ações que dizem respeito aos Estados Unidos e ao Brasil podem ir adiante para o bem da população brasileira.”
Eduardo também afirmou que a medida pode ter impacto político na disputa presidencial de outubro e declarou que a pauta tende a alcançar eleitores de centro.
Nas redes sociais, o próprio Flávio Bolsonaro agradeceu ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, pela cooperação na pauta de segurança pública.
“O combate aos narco-terroristas precisa ser feito com a união entre os países afetados pela atuação criminosa deles.”
Entre os parlamentares da oposição, a medida foi apresentada como resultado da aproximação entre lideranças conservadoras brasileiras e integrantes do governo Donald Trump.
O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que a atuação de Flávio Bolsonaro produziu mais resultados do que a política de segurança do governo federal.
“Parabéns, @FlavioBolsonaro, que foi mais efetivo numa viagem ridicularizada e subestimada pela grande mídia do que Lula, que, em 3 anos e meio de governo, relativizou o crime e tratou bandido como vítima.”
O senador Izalci Lucas (PL-DF) também comemorou a decisão.
“A ida do Flávio aos EUA foi uma vitória para o Brasil. Isso é muito importante para que todos vejam que ele é capacitado e o melhor para comandar o nosso país e salvá-lo das garras do partido das trevas. Missão cumprida!”
Já o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que a classificação representa uma derrota para o governo brasileiro, que vinha se posicionando contra esse enquadramento.
“Trump ignorou os apelos do governo brasileiro e chamou as coisas pelo nome. Quem domina territórios, espalha medo, recruta jovens para o crime e desafia o Estado não age como vítima da sociedade. Age como terrorista.”
Do lado governista, a reação foi de crítica à medida adotada por Washington.
O líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), afirmou que a classificação não encontra respaldo na legislação brasileira e pode abrir espaço para interferências externas.
“O que pode parecer uma questão semântica, não é. Há uma distinção no direito internacional a respeito do que é uma organização criminosa e o que é uma organização terrorista.”
Segundo Pimenta, a mudança pode ser utilizada para justificar futuras ações econômicas ou diplomáticas contra o Brasil.
Para o deputado federal Sanderson (PL-RS), a medida expõe a fragilidade do atual governo no enfrentamento às organizações criminosas que atuam em todo o território nacional.
“Milhões de brasileiros vivem reféns do crime organizado. O PCC e o CV espalham medo, executam inocentes, dominam territórios e desafiam o Estado. A decisão dos EUA mostra ao mundo aquilo que o governo Lula se recusa a admitir: facção criminosa que impõe terror à população deve ser tratada como organização terrorista”, afirmou.
Na mesma linha, o deputado federal Capitão Alberto Neto (PL-AM) elogiou a atuação do senador Flávio Bolsonaro nas articulações junto ao governo americano e ressaltou os efeitos práticos da medida.
“Essa classificação fortalece a cooperação internacional, amplia mecanismos de inteligência e endurece o combate às facções. É uma vitória da segurança pública e da população brasileira”, declarou.
O deputado federal Rodrigo Valadares (União-SE), membro da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, destacou que o Congresso Nacional também vem avançando em propostas para enquadrar facções criminosas como organizações terroristas.
“Fui autor do projeto aprovado na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, sob relatoria do deputado Luiz Philippe de Orléans e Bragança, que classifica facções criminosas como grupos terroristas. Enquanto setores da esquerda relativizam o crime organizado, nós defendemos o enfrentamento firme contra essas organizações”, declarou.
Já o vice-líder do governo, Lindbergh Farias (PT-RJ), acusou Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro de atuarem para provocar prejuízos econômicos ao país.
“Nós não somos colônia norte-americana, nós somos um Brasil soberano, que tem um presidente.”
O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) também criticou a decisão e questionou a atuação dos irmãos Bolsonaro junto ao governo americano.
Enquanto isso, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) avaliou que a classificação tem motivação política e questionou sua efetividade no combate ao crime organizado.
“A classificação de duas facções criminosas brasileiras como organizações terroristas não tem uma boa base técnica, mas é uma decisão política unilateral do governo americano.”
A medida amplia a disputa política em torno da segurança pública e passa a integrar o debate eleitoral a poucos meses da campanha presidencial de 2026.
Já o deputado federal Rodolfo Nogueira (PL-MS) afirmou que a decisão dos Estados Unidos reforça uma realidade conhecida por milhões de brasileiros que convivem diariamente com a violência e a influência das facções criminosas.
“Há anos, as facções criminosas impõem medo, controlam territórios, extorquem trabalhadores e desafiam as forças de segurança. O Brasil não aguenta mais viver sob o terror do PCC e do Comando Vermelho. A classificação feita pelos Estados Unidos reconhece a gravidade dessa ameaça e reforça a necessidade de uma atuação firme e sem concessões contra o crime organizado”, afirmou.
