
A fabricante de brinquedos Estrela entrou com pedido de recuperação judicial após enfrentar dificuldades financeiras, alta dos juros e mudanças no mercado de entretenimento infantil.
O requerimento foi protocolado na Comarca de Três Pontas, em Minas Gerais, e inclui outras empresas do grupo. Em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários, a companhia afirmou que a medida busca reorganizar o passivo financeiro e preservar as operações.
Segundo a empresa, a recuperação judicial ocorre em meio a “pressões econômicas e setoriais relevantes”.
A companhia citou o aumento do custo de capital, a restrição de crédito e as mudanças no comportamento do consumidor, com avanço de plataformas digitais e maior concorrência no setor infantil.
A Estrela também afirmou que pretende manter normalmente as atividades industriais, comerciais e administrativas durante o processo.
“As empresas recuperandas e seus sócios, acionistas, administradores e diretores permanecem à frente da condução da atividade empresarial”, informou a companhia.
O grupo declarou ainda que continuará atendendo clientes, fornecedores e parceiros comerciais enquanto negocia a reorganização das dívidas.
Nos bastidores do mercado financeiro, analistas apontam que o cenário prolongado de juros elevados agravou a situação de empresas altamente dependentes de crédito e financiamento.
A taxa Selic permanece acima de 10% desde 2022 e chegou a 15% ao ano em 2025. Atualmente, os juros básicos estão em 14,5%.
Além do ambiente financeiro mais restritivo, fabricantes nacionais de brinquedos enfrentam aumento da concorrência com produtos importados e crescimento das alternativas digitais de entretenimento.
A empresa afirmou que apresentará futuramente um plano de recuperação judicial aos credores.
O documento deverá detalhar as condições para renegociação das dívidas e reorganização financeira do grupo.
Nos últimos meses, empresas de diferentes setores recorreram à recuperação judicial diante do custo elevado do crédito, desaceleração econômica e pressão sobre fluxo de caixa.
A crise da Estrela ocorre após décadas em que a companhia se consolidou como uma das marcas mais conhecidas do setor de brinquedos no Brasil, responsável por produtos como Banco Imobiliário e licenciamentos de marcas internacionais.