
A Polícia Federal (PF) marcou para esta quarta-feira (20) o depoimento da empresária Roberta Luchsinger sobre a “Farra do INSS”. Amiga de Lulinha, ela é investigada por suspeita de ligação entre o filho do presidente Lula (PT) e o lobista Antônio Camilo Antunes, mais conhecido como “Careca do INSS”.

Segundo a investigação, foi Luchsinger quem aproximou Lulinha de Antunes em negociações ligadas ao mercado de cannabis medicinal. O lobista mantinha, junto com o filho, a empresa World Cannabis, que atuava no fornecimento de medicamentos à base de maconha medicinal.
A PF aponta que a empresária recebeu R$ 1,5 milhão do Careca do INSS por serviços de consultoria. Os pagamentos teriam sido feitos em cinco parcelas de R$ 300 mil, segundo dados obtidos a partir da quebra do sigilo fiscal do lobista.
O contrato previa articulações no Ministério da Saúde para viabilizar medicamentos de cannabis no Sistema Único de Saúde (SUS), mas o projeto não avançou.
Investigadores querem esclarecer se Lulinha manteve negócios com Antunes e se recebeu valores ligados ao esquema do roubo dos aposentados. A PF já identificou viagens de Roberta, Lulinha e do Careca do INSS à Europa para prospectar negócios no setor de cannabis medicinal.
A defesa de Lulinha afirma que o filho do presidente da República nunca fechou contratos nem recebeu recursos de Antunes.
Luchsinger, que já foi candidata a deputada estadual pelo PT, foi alvo de busca e apreensão em uma das fases da Operação Sem Desconto, deflagrada no ano passado. Ela passou a usar tornozeleira eletrônica após ser alvo da PF.
A investigação sustenta que a empresária teria atuado como possível laranja de Lulinha e que teve acesso a informações sigilosas do inquérito sobre o roubo de aposentados do INSS. A PF afirma ainda que Roberta chegou a orientar Antunes a “jogar fora” celulares, em uma suposta tentativa de destruição de provas e obstrução das investigações.
Em mensagens obtidas pela corporação, o lobista faz referência a “mais uma parcela de pagamento de 300 mil reais” destinada a Roberta Luchsinger. Ao ser questionado pelo contador Milton Salvador de Almeida Júnior sobre quem seria o destinatário final do dinheiro, Antunes respondeu: “O filho do rapaz”.
Na sequência, segundo a PF, o contador enviou o comprovante de transferência de R$ 300 mil para a RL Consultoria e Intermediações, empresa ligada à empresária petista.
“Quantia que seria destinada, pelo sentido das mensagens, ao ‘filho do rapaz’”, diz a PF, que conclui: “Essas circunstâncias geram fortes indícios acerca da veracidade e real execução dos serviços que teriam originado o pagamento consoante previsto contratualmente”
Os investigadores identificaram cinco transferências de R$ 300 mil para a empresa de Luchsinger. Os pagamentos, segundo a PF, foram solicitados pelo Careca do INSS e executados pelo contador.
O valor coincide com a suposta “mesada” de R$ 300 mil que seria destinada a Lulinha, segundo depoimento de Edson Claro, ex-funcionário do Careca do INSS. Para a PF, isso reforça a suspeita de que Luchsinger teria atuado como intermediária no recebimento dos recursos.
