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O que funcionou e o que não funcionou na coletiva de Flávio
Publicado em 20/05/2026 11:03
Últimas Notícias

O pré-candidato à presidência, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), fez ontem uma coletiva de imprensa para explicar seus contatos com o banqueiro preso Daniel Vorcaro.

 

Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

Selecionei dois trechos que, na minha opinião, são o ponto mais forte e o mais fraco da coletiva.

 

Ponto forte: efeito inibidor da perseguição institucionalizada ao bolsonarismo

Como disse, na semana passada, ao programa diário deste portal, o deputado Mario Frias (PL-SP), produtor executivo do filme sobre Jair Bolsonaro, Dark Horse, se os apoiadores do ex-presidente não fizessem a obra, quem contaria a história do político, ou a relegaria ao esquecimento, seriam seus inimigos.

 

 

Em um país em que 81% dos jornalistas se declaram de esquerda, e em que maiorias similares ou maiores de acadêmicos fazem o mesmo, é quase uma garantia que, sem a ação dos apoiadores, Jair seja registrado na história como um vilão.

 

Flávio falou da questão da dificuldade de financiamento do filme no Brasil nestes termos:

 

“Ainda no fim de 2024, em um jantar com um amigo, eu comentava a dificuldade de conseguir investidores aqui no Brasil. As pessoas tinham medo de colocar o CPF, de colocar a empresa em um simples empreendimento cultural, que é um filme em homenagem ao melhor presidente da República que este país já teve. Foi por essa razão que optamos por fazer esse filme fora do Brasil. É um filme norte-americano.”

 

Há uma abundância de indícios que justificam essa percepção de inibição dos investidores. Consideremos, por exemplo, os oito empresários perseguidos por Alexandre de Moraes por expressarem opiniões em um grupo privado do WhatsApp em 2022. Houve até fraude processual para afastar a impressão de que tudo o que o ministro tinha por trás das ordens de busca e apreensão, além de censura, era uma reportagem de um jornalista inegavelmente de esquerda. O empresário Luciano Hang, das lojas Havan, ficou por anos banido das redes sociais — até hoje não está claro que crime ele cometeu.

 

Para citar outro exemplo, outra produção conservadora sobre a facada contra Jair Bolsonaro em 2018, retratada no filme de Frias, também foi censurada pelo TSE em 2022. Houve doutrinas de esquerda usadas como fundamento para a decisão, como prova o voto do então ministro Ricardo Lewandowski, que falou em “desordem informacional”, termo pseudotécnico criado no contexto da obsessão da esquerda acadêmica em censurar suposta desinformação — só quando vem de um lado, claro. Foi esse impulso que criou as vexaminosas agências de checagem, sempre parciais, que chegaram a emprestar espaço para a lacração.

 

O padrão do comportamento das instituições diante do bolsonarismo foi de ver ilícito em tudo o que esse movimento fizesse. Culminou em um julgamento sobre suposto golpe cujos erros, cometidos pela Procuradoria-Geral da República, foram expostos com delongas pelo ministro Luiz Fux. Sem falar do inconstitucional Inquérito das Fake News, criado para blindagem do Supremo e aproveitado para a perseguição. Sem falar nos indícios de que manifestantes do 8 de Janeiro foram fichados por ideologia política pelo TSE em “certidões” que afetaram suas chances de permanecerem presos, como revelou a Vaza Toga 2.

 

Com todo esse contexto, quem gostaria de pagar o pato? Aparentemente, só um banqueiro muito bem conectado com a cúpula do poder e que fazia questão de exibir poder de compra até em whisky caríssimo para autoridades da República em clube grã-fino de Londres.

 

 

O ponto fraco: a visita após a prisão

O pré-candidato disse que visitou Vorcaro pós-prisão só para desatar laços:

 

“Fui, sim, ao encontro dele para botar um ponto final nessa história, dizer que, se ele tivesse me avisado que a situação era grave como essa, eu já teria ido atrás de investidor há muito mais tempo.”

 

Essa explicação vai convencer o eleitor indeciso, que já precisa vencer uma estigmatização contra o grupo político de Flávio estimulada pela maior parte da imprensa? Veremos se outros institutos de pesquisa confirmarão o efeito dissuasório das notícias sobre a relação entre Flávio e Vorcaro que a pesquisa da AtlasIntel, com seus problemas denunciados por Claudio Dantas, sinalizou com aparente queda de cinco pontos percentuais de intenção de voto.

 

O psicólogo Steven Pinker, respeitado pensador de Harvard, tem comparado o relacionamento entre quem pede doação e o potencial doador à dinâmica da sedução em relacionamentos amorosos. Em ambas as situações, as pessoas evitam dizer muito escancaradamente o que ambas sabem, diz o especialista. É melhor se expressar por insinuações que a outra parte decifra e entende.

 

Pinker tem se dedicado a entender por que as pessoas falam por insinuações em seu livro mais recente. Em uma palestra sobre o tema na Universidade da Califórnia em Berkeley, em 2014, ele disse: “Qualquer um de vocês que tenha comparecido a um evento de arrecadação de fundos de uma universidade está familiarizado com a mendicância com eufemismo, por exemplo, ‘Contamos com você para mostrar liderança na nossa campanha no futuro’, em vez de ‘Você tem muito dinheiro. Por que não dá um pouco dele para Berkeley?’”

 

 

Partindo da ideia de que a relação entre pedinte e doador é comparável à de namorados ou casados, é boa etiqueta romper o relacionamento cara a cara, desde que um dos lados não ofereça risco de reagir com violência à rejeição.

 

Se Flávio Bolsonaro só estava sendo um bom arrecadador, seguindo essa etiqueta de rompimento, ou se a visita indica algo mais, as evidências não permitem conclusões satisfatórias, mas os marketeiros de campanha e os eleitores terão as suas próprias. Parece que a melhor estratégia para Flávio será apostar nos relacionamentos do pré-adversário Lula, que incluem o irresistível Vorcaro.

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