
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, utilizava uma rede de empresas, fundos e pagamentos diretos para realizar repasses ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), de acordo com investigação da Polícia Federal (PF).

O esquema é detalhado na decisão de hoje (07) do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a 5ª fase da Operação Compliance Zero. A ofensiva apura fraudes envolvendo o Master e teve o presidente nacional do PP entre os alvos.
De acordo com a PF, Ciro “instrumentalizou o exercício do mandato parlamentar em favor dos interesses privados” de Vorcaro. A corporação também aponta que o senador atuou em favor do banqueiro “em troca do recebimento de vantagens econômicas indevidas”.
A BRGD S.A. aparece no inquérito como a “fonte primária dos valores movimentados” no esquema entre Ciro e Vorcaro. A empresa era formalmente controlada pelo pai de Felipe Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, e realizava pagamentos mensais de R$ 300 mil ou mais para a empresa CNFL Empreendimentos Imobiliários.
A CNFL Empreendimentos está registrada em nome de Raimundo Neto, irmão de Ciro Nogueira.
Segundo a Polícia Federal, a estrutura também envolvia a Green Investimentos S.A., empresa ligada a Vorcaro. A CNFL adquiriu 30% das ações da companhia por R$ 1 milhão, apesar de a PF apontar que o valor de mercado da participação seria de aproximadamente R$ 13 milhões.
Felipe atuou como presidente da Green Investimentos entre novembro de 2021 e 19 de novembro de 2025, um dia após a deflagração da 1ª fase da Compliance Zero.
Considerado um dos “operadores financeiros” do esquema entre Ciro e Vorcaro, Felipe foi preso temporariamente nesta manhã (07). A Green Investimentos era controlada pelo fundo Green Energia Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, estrutura que, segundo os investigadores, dificultava o rastreamento dos recursos.
Na decisão desta manhã, que atingiu Ciro, Mendonça determinou a suspensão das atividades da BRGD, Green Investimentos, Green Energia e CNFL. Para o ministro, as empresas funcionavam como “extensões da organização criminosa [de Vorcaro], destinadas à ocultação, circulação e formalização aparente de recursos de origem ilícita”.
A PF também aponta, como noticiado por este site, que Vorcaro custeava despesas pessoais de Ciro Nogueira, incluindo hospedagens no hotel Park Hyatt, em Nova York, jantares em restaurantes de alto padrão e voos privados.
Em mensagens apreendidas pela PF, Vorcaro orienta o seu intermediário Léo Serrano a continuar pagando despesas de restaurantes do senador e a entregar seu cartão de crédito pessoal para uma viagem de Ciro a St. Barths, ilha do Caribe.
Além das transferências bancárias e operações societárias, a PF afirma ter identificado “indícios de recebimento de numerário em espécie” por parte do senador. Segundo a investigação, Bernardo Rodrigues de Oliveira Filho, ligado ao dono do Master, seria responsável por depósitos fracionados para inserir dinheiro vivo no sistema financeiro formal.
