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Adeus, COP-30! Lula aposta tudo em carvão e gás
Publicado em 23/04/2026 11:39
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Marina Silva não deu um pio. A mulher de Caetano também não, nem seus amiguinhos do Leblon e de Los Angeles. Nenhuma cruz nas areias de Copacabana, vídeo com camisa branca ou carro alegórico na Times Square. Poucos meses após sediar a Conferência do Clima (COP-30) com promessas de fundos verdes, Lula colocou na praça o maior leilão de termelétricas da história. Sim, energia a gás e a carvão.

 

Joesley Batista e André Esteves

Estima-se que as novas usinas contratadas possam emitir cerca de 14.985 toneladas de CO₂ por hora de operação, jogando por terra as metas brasileiras de descarbonização. A participação de termelétricas na matriz nacional deve subir de 19,6% para cerca de 23,5%, consolidando o gás natural e o carvão mineral como fontes de segurança, a serem acionadas em caso de apagão ou pico de consumo.

 

Risco de desabastecimento não há e o mercado já oferece alternativas, como baterias de armazenamento de energia solar e eólica — sim, hoje em dia já dá p “estocar vento”. Então, por que diabos Lula resolveu, em pleno ano eleitoral, chutar o pau da barraca da agenda ESG que ajudou a reconduzi-lo ao Planalto e escalar como nunca antes no uso de combustíveis fósseis?

 

 

A resposta talvez esteja no resultado do leilão em si — um processo polêmico, praticamente sem concorrência e com inconsistências técnicas até agora não esclarecidas. Dos 19 GW contratados, a Eneva, controlada pelo BTG de André Esteves, foi a campeã com 5 GW contratados (27% do volume leiloado), o que lhe garantirá uma receita fixa anual de R$ 11,7 bilhões — ao longo de 15 anos.

 

A segunda colocada foi a própria Petrobras, com 4,8 GW e receita fixa estimada de R$ 9,2 bilhões, enquanto o terceiro maior contrato foi obtido pela Âmbar, do grupo J&F, num total de 2,5 GW, com receita fixa anual de R$ 5,8 bilhões. A estimativa é de que esses grupos obtenham o retorno do investimento em menos de dois anos, um negócio de pai para filho, ou melhor, entre companheiros.

 

Para tornar o cenário ainda mais suspeito, o ministro Alexandre Silveira lançou um edital com estimativa de preço-teto de R$ 313 bilhões; e, 72 horas depois, revisou esse valor para R$ 515,7 bilhões. Alegou erro de cálculo por parte da equipe técnica do Ministério de Minas e Energia (MME) e da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), formada por 26 especialistas.

 

A fundamentação para o novo valor, porém, ainda é desconhecida.

 

Vale ressaltar que os controladores dos dois grupos privados que mais se beneficiaram com a aposta de Lula em termelétricas estão hoje entre os principais aliados do governo, com agenda intensa no gabinete de Lula e do próprio Silveira, e atuando até em crises diplomáticas, como no tarifaço de Trump e na Magnitsky.

 

O ministro é palestrante recorrente em eventos exclusivos do banco, como a BTG CEO Conference e o AgroForum, onde discute abertamente políticas de mineração e energia que impactam diretamente o portfólio de investimentos do grupo. No ano passado, ele designou para integrar o Conselho Nacional de Política Energética o CEO de uma consultoria (PSR) controlada pela holding do BTG.

 

 

Em 2024, Silveira atuou diretamente na edição da MP que aliviou o caixa da Amazonas Energia, comprada pela Âmbar, transferindo custos de contratos termelétricos para os consumidores. Reportagens mostraram que os irmãos Batista e seus executivos estiveram ao menos 17 vezes com Silveira e representantes do MME, antes da edição da MP.

 

Por fim, além de mais poluente, a energia gerada por termelétricas é também mais cara. Estima-se que o impacto do super leilão na conta de luz seja de no mínimo 10%. Como sempre, quem vai pagar é você, o consumidor, o eleitor. Respire fundo, porque outubro ainda está longe.

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