
O prazo dado pelo Banco Central (BC) para o Banco de Brasília (BRB) divulgar o balanço de 2025 termina nesta terça-feira (31), sob risco de sanções da autarquia e aumento da desconfiança no mercado financeiro.

O documento terá que reunir dados sobre aplicações, dívidas e patrimônio e é considerado essencial para avaliar a saúde financeira da instituição.
O BRB, ligado ao governo do DF, atravessa uma crise ligada a operações com o Banco Master, de Daniel Vorcaro, que resultaram na compra de mais de R$ 12 bilhões em créditos sem lastro.
A necessidade de provisões ao banco estatal gira em torno de R$ 8,8 bilhões, mas auditoria independente estima impacto de até R$ 13,3 bilhões.
O atraso não se limita ao resultado anual. Os balanços do 3º e do 4º trimestres de 2025 do BRB também seguem pendentes, o que agrava a percepção de risco entre investidores e pode afetar a liquidez da instituição.
O presidente do banco, Nelson de Souza, atribuiu o atraso a um “momento atípico” e pediu ao BC a prorrogação do prazo até junho, ainda sem resposta. Sem a divulgação, o banco pode enfrentar multas diárias, investigação de dirigentes e outras penalidades regulatórias.
Para recompor o caixa do BRB, o governo do DF tenta viabilizar um empréstimo de R$ 4 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), com carência de 18 meses e garantias em ativos públicos.
Outras medidas estão em análise, como venda de ativos, securitização de receitas e uso de dividendos de estatais. Uma assembleia de acionistas deve discutir aumento de capital do BRB por meio da emissão de novas ações.
Ontem (30), a nova governadora do DF, Celina Leão, defendeu mais transparência no banco e pediu o afastamento de executivos do BRB ligados ao caso Master.
