
Primeiro, porque Ratinho Jr. desistiu. Ele representava a cara que Gilberto Kassab desejava para o PSD, nem muito à esquerda como Eduardo Leite, nem muito à direita como Ronaldo Caiado. Uma candidatura mais “neutra” manteria uma equidistância em relação aos polos, daria tranquilidade para os diretórios estaduais fazerem a composição que quisessem (entre Lula e Flávio) e apresentassem Ratinho Jr. como um plano B que seria palatável para todos;

Sem Ratinho Jr., no entanto, pode ser que Gilberto Kassab até preferisse abdicar de uma candidatura presidencial. Mas já havia ido longe demais e o desgaste de uma desistência seria muito grande;
Caiado se tornou o melhor plano B porque está claro que a maioria dos eleitores está na direita;
Kassab quer os votos dos antipetistas não bolsonaristas para ter uma bancada de 80 deputados federais. Seria mais difícil obter esse resultado com Eduardo Leite, que se apresentaria como um candidato tucano que, objetivamente, é uma plataforma que perdeu espaço no Brasil desde 2018;
É mais fácil Caiado tirar votos de Flávio Bolsonaro do que Eduardo Leite conquistar votos de Lula. A direita está mais sujeita a uma disputa interna do que a esquerda;
O PSD desafiou o PL em 8 cidades com segundo turno em 2024: venceu 6 e perdeu 2;
Em uma campanha na qual Lula prepara artilharia pesada contra Flávio Bolsonaro, Caiado é a opção natural de eleitores que desistirem do filho 01;
Consequências
Como Caiado não era o plano A, e Kassab “se viu forçado” a escolhê-lo, pode haver um resultado não planejado: o PSD vai ficar o pé mais à direita do que, talvez, seu presidente gostaria;
Isso significa perder margem de manobra em um eventual segundo turno, considerando que dificilmente Caiado teria dúvidas entre apoiar Flávio ou Lula;
Para Flávio, a notícia boa é que Caiado deve ser mostrar bastante crítico a Lula e permitir que o candidato do PL possa adotar postura mais moderada e serena;
Mas a relação entre Caiado e Flávio não está isenta de riscos, especialmente se Caiado se mostrar competitivo e ambos chegarem à véspera do primeiro turno próximos um do outro;
Nesse caso, o risco é o nível de hostilidade entre Flávio e Caiado ser tão grande que levará o eleitor do candidato perdedor a recusar seu apoio ao candidato que passar para o segundo turno. Nesse sentido, ambos precisam fazer um acordo em torno de limites de ataques nesse caso.
P.S.: Com exceção de Goiás e do Paraná, onde Ratinho Jr. precisa derrotar Sérgio Moro, Ronaldo Caiado não tem nenhum palanque estadual garantido. Isso significa não ter ninguém para buscá-lo no aeroporto quando ele chegar para fazer campanha. Portanto, ele precisa se lançar rapidamente para fazer articulações estaduais, considerando que Gilberto Kassab já deixou claro que isso ele não fará.
