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Suíça aprova em referendo inclusão do dinheiro em espécie na Constituição
Publicado em 10/03/2026 12:10
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Os eleitores da Suíça decidiram, por ampla maioria, incluir na Constituição a garantia de que o dinheiro em espécie continuará disponível no país. Em referendo realizado no domingo (8), cerca de 73% dos votantes apoiaram a proposta do governo que determina que as autoridades mantenham permanentemente a circulação de moedas e cédulas em francos suíços.

 

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A medida surge em meio ao avanço dos meios de pagamento digitais em diversas economias. Com a mudança constitucional, o Estado passa a ter a obrigação formal de assegurar que o numerário permaneça acessível, impedindo que o sistema monetário suíço seja substituído exclusivamente por alternativas virtuais.

 

Outra iniciativa semelhante, apresentada pelo grupo Swiss Freedom Movement, não obteve apoio suficiente e recebeu 45,6% dos votos. A participação eleitoral ficou pouco acima de 55%.

 

Nos últimos anos, o uso de dinheiro físico tem diminuído no país. Dados indicam que o numerário representava cerca de 70% das transações há menos de uma década, índice que caiu para aproximadamente 30% dois anos atrás. Apesar disso, o apego da população ao franco suíço permanece significativo.

 

Durante o período de juros negativos, encerrado em 2022, muitos correntistas retiraram recursos dos bancos para evitar custos com tarifas, mantendo os valores em espécie. Estimativas apontam que cada residente guarda, em média, quase US$ 10,7 mil em dinheiro em casa — o maior volume entre as economias analisadas pelo Bank for International Settlements (BIS).

 

A aprovação da proposta não impede o país de estudar novas formas digitais de moeda. Autoridades monetárias suíças seguem avaliando a possibilidade de criar, no futuro, um franco digital emitido pelo banco central. Caso o projeto avance, a moeda virtual deverá coexistir com o dinheiro físico.

 

A decisão também preserva símbolos históricos do sistema monetário helvético, como a moeda de 10 centavos de franco suíço, cunhada desde 1879 sem alterações no desenho — considerada uma das mais antigas ainda em circulação.

 

Reforma tributária

 

No mesmo dia, os eleitores aprovaram outra mudança relevante: o fim da estrutura tributária conhecida como “penalidade do casamento”. Com pouco mais de 54% de apoio, o referendo abriu caminho para reformar um modelo que, segundo críticos, acaba onerando casais em que ambos os parceiros possuem renda semelhante.

 

 

Atualmente, o sistema fiscal suíço calcula os impostos a partir da renda conjunta do casal, o que pode elevar a carga tributária após o casamento. A mudança busca eliminar essa distorção, que afeta cerca de 670 mil casais no país.

 

Considerada por analistas uma das reformas fiscais mais profundas desde a introdução do imposto sobre valor agregado, em 1995, a alteração deve entrar em vigor por volta de 2032, devido ao longo período de adaptação necessário para os governos cantonais.

 

Outras propostas submetidas à votação popular — incluindo a redução de taxas destinadas à emissora pública e o aumento de recursos para políticas climáticas — acabaram rejeitadas pelos eleitores.

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