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Junta médica de Bolsonaro conclui por necessidade de cuidados contínuos
Publicado em 06/02/2026 14:48
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O laudo elaborado por peritos criminais da Polícia Federal sobre o estado de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) aponta que ele possui diversas doenças crônicas e sequelas permanentes, porém pode continuar cumprindo pena na unidade prisional do Complexo da Papuda, no Distrito Federal.

 

O documento foi produzido por junta médica oficial por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da execução penal. A perícia avaliou tanto o quadro clínico quanto as condições estruturais do local de custódia para subsidiar a análise do pedido da defesa por prisão domiciliar humanitária.

 

Condições clínicas e sequelas

 

 

Segundo o relatório, Bolsonaro apresenta múltiplas comorbidades e consequências decorrentes do atentado sofrido em 2018, quando foi atingido por uma facada no abdome. As cirurgias posteriores resultaram em perda de parte do intestino grosso, aderências intestinais extensas e redução da parede abdominal.

 

Entre os diagnósticos descritos estão:

 

hipertensão arterial;

doença aterosclerótica cardiovascular;

estenose de artérias carótidas;

refluxo gastroesofágico com esofagite;

apneia do sono grave;

episódios recorrentes de pneumonia aspirativa;

anemia por deficiência de ferro;

neoplasias cutâneas;

soluços persistentes de difícil controle.

O ex-presidente relatou fadiga intensa causada por medicação para conter os soluços, além de tonturas ao se levantar e perda de força muscular nos membros inferiores. A avaliação neurológica identificou marcha levemente instável, com necessidade ocasional de apoio durante deslocamentos.

 

Recomendações médicas

 

Os peritos afirmam que o tratamento demanda acompanhamento permanente, incluindo:

 

controle rigoroso da pressão arterial e frequência cardíaca;

dieta fracionada e monitoramento nutricional;

exames laboratoriais e de imagem periódicos;

uso contínuo de aparelho CPAP durante o sono;

vigilância quanto a risco de quedas.

 

Apesar das exigências clínicas, o laudo conclui que as necessidades podem ser atendidas no ambiente carcerário atual, onde há estrutura de saúde disponível e atendimento contínuo.

 

Avaliação física e mental

 

Durante o exame realizado em 20 de janeiro, Bolsonaro foi descrito como consciente, orientado no tempo e no espaço, colaborativo e com memória preservada. O humor foi classificado como estável, com leve ansiedade, sem sinais de delírios ou alucinações.

 

Ele relatou manter rotina diária com leitura pela manhã, descanso após o almoço, caminhadas sob escolta e acompanhamento de programas esportivos na televisão. Também afirmou preocupação com familiares, mas negou acompanhamento psiquiátrico regular.

 

Ambiente prisional

 

No depoimento aos peritos, Bolsonaro disse ter percebido melhora após a transferência para a Papuda e relatou atividades diárias como leitura, descanso após o almoço, caminhadas escoltadas e televisão.

 

O documento registra que ele considerou “satisfatória a limpeza do ambiente” e destacou maior espaço para circulação.

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