Offline
MENU
https://public-rf-upload.minhawebradio.net/113401/slider/9f22fe65968d79b6f45efc1523e4c4aa.png
https://public-rf-upload.minhawebradio.net/113401/slider/80a574611830c0240c40e4d3d91929b3.png
Urgente: Fictor pede recuperação judicial após crise ligada ao Master
Publicado em 02/02/2026 11:38
Últimas Notícias

O Grupo Fictor, que tentou comprar o Banco Master no ano passado, protocolou pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) para as empresas Fictor Holding e Fictor Invest.

 

Segundo a empresa, a medida busca “equilibrar a operação e assegurar o pagamento dos compromissos financeiros”, que somam cerca de R$ 4 bilhões.

 

No pedido encaminhado ao TJ-SP, o grupo atribui a crise à repercussão negativa na imprensa após a tentativa de aquisição do Master. Segundo a empresa, o episódio provocou um descompasso nos fluxos operacionais e levou à rescisão de contratos com fornecedores.

 

A tentativa de compra foi suspensa após o Banco Central (BC) decretar a liquidação do banco de Daniel Vorcaro em 18 de novembro. A operação previa um aporte imediato de R$ 3 bilhões para reforçar o capital do Master.

 

 

A Fictor informou ao TJ que, em dezembro, as notícias tiveram impacto direto no valor de mercado do grupo. As ações da Fictor Alimentos S.A., subsidiária listada na B3, caíram cerca de 50% entre 17 de novembro e 1º de fevereiro.

 

“Ao longo do mês de dezembro de 2025, a Fictor passou a ser alvo de intensa exposição negativa na imprensa, com reportagens, colunas de bastidores e análises que passaram a questionar a própria consistência da operação anunciada, bem como o suposto papel do grupo no contexto da crise que envolvia o banco”, afirma o pedido.

 

Segundo a empresa, a repercussão levou parceiros, fornecedores, clientes e sócios a adotarem postura mais cautelosa, resultando em volume atípico de pedidos de retirada em contratos de Sociedade em Conta de Participação.

 

“Diversos fornecedores e stakeholders solicitaram esclarecimentos sobre a estrutura do Grupo Fictor, incluindo beneficiários finais, vínculos societários e informações detalhadas sobre a possível aquisição do Banco Master, bem como sobre as diligências realizadas, pareceres que embasaram a operação, medidas de mitigação de riscos, eventuais impactos para as empresas subsidiárias, existência de exposições diretas ou indiretas a ativos relacionados, plano de contingência e a presença de vínculos com instituições financeiras, pessoas politicamente expostas ou indivíduos sujeitos a sanções”, diz o documento.

 

A Fictor afirma ter recebido R$ 3 bi em aportes até 17 de novembro, um dia antes da liquidação do Master. Até 31 de janeiro, os pedidos de retirada teriam alcançado cerca de 71,38% desse valor.

 

 

“Após tantas notícias suscitando a crise financeira do Grupo Fictor, cumulado à notícia do bloqueio de R$ 150.000.000,00 em contas, gerou-se um pânico generalizado nos sócios participantes”, afirma o pedido da empresa, que relata o ajuizamento de ações com pedidos de arresto cautelar.

 

O grupo diz também ter diversos processos com pedidos de constrição patrimonial. Três deles somam valores superiores a R$ 800 mil, com potencial de atingir ativos essenciais às operações.

 

O Fictor atua nos setores de infraestrutura, alimentos e financeiro. O portfólio reúne mais de 30 empresas com operações no Brasil, nos EUA e na Europa.

 

LEIA A NOTA NA ÍNTEGRA DA FICTOR SOBRE O PEDIDO:

“O Grupo Fictor, um grupo econômico de participações e investimentos nos setores da indústria alimentar, infraestrutura e soluções de pagamento, protocolou neste domingo (01/02) pedido de recuperação judicial para a Fictor Holding e Fictor Invest no Tribunal de Justiça de São Paulo, visando equilibrar a operação e assegurar o pagamento dos compromissos financeiros, com foco nos sócios participantes – que representam a grande maioria dos credores. A medida busca criar um ambiente de negociação estruturada e com tratamento isonômico, que possa garantir a continuidade das atividades de forma sustentável.

 

O valor dos compromissos totaliza, aproximadamente, R$ 4 bilhões. O Grupo Fictor pretende realizar a quitação sem nenhum deságio. No pedido de recuperação judicial, foi solicitado tutela de urgência para suspender execuções e bloqueios por um período inicial de 180 dias, reduzindo o risco de corridas individuais que pressionem ainda mais a liquidez e prejudiquem uma solução coletiva e equânime. Nesse período, pela lei, a companhia garante o direito de negociar um plano de recuperação, prevendo novas condições e prazos de pagamento de seus compromissos, sem interromper as operações e, consequentemente, preservando mais de 10.000 empregos diretos e indiretos.

 

 

O pedido de recuperação judicial é consequência da crise de liquidez momentânea originada a partir de 18 de novembro do ano passado, quando o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master. Um consórcio liderado pelo sócio do Grupo Fictor fez uma oferta para a aquisição e transferência de controle do Master, mas com a decretação da liquidação da instituição pelo Banco Central, um dia após o anúncio da aquisição, a reputação do grupo foi atingida por especulações de mercado, que geraram um grande volume de notícias negativas, atingindo duramente a liquidez da Fictor Invest e da Fictor Holding.

 

Importante ressaltar que desde que a Fictor iniciou operações não haviam sido registrados atrasos de nenhuma natureza.

 

Com a crise, o Grupo Fictor colocou em prática um plano e reestruturação que, incluiu uma diminuição de sua estrutura física e corpo de colaboradores. O Grupo teve a preocupação, porém, de fazer esse movimento antes do pedido de recuperação judicial para proteger os direitos dos colaboradores e agilizar o recebimento das indenizações trabalhistas.

 

Fundado em 2007, o Grupo Fictor diversificou suas frentes de atuação ao longo dos anos, com presença na indústria de alimentos (proteína animal), energia, infraestrutura/ real estate e soluções de pagamento.

 

De acordo com o advogado Carlos Deneszczuk, do escritório DASA Advogados, que coordena o pedido de recuperação judicial, os ativos operacionais seguem funcionando e a base produtiva permanece relevante, apesar da pressão de curto prazo. A principal subsidiária industrial do grupo, a Fictor Alimentos S.A., reúne unidades em Minas Gerais e Rio de Janeiro e sustenta uma cadeia de 3.500 empregos diretos e 10.000 indiretos, além de carteira ampla de clientes.

 

 

O pedido de RJ não inclui as subsidiárias, que devem seguir com suas rotinas, contratos e projetos. O objetivo, segundo Deneszczuk, é evitar que empresas economicamente viáveis sejam afetadas por restrições típicas do processo de recuperação, impossibilitando o soerguimento do Grupo, bem como a preservação de fornecedores, clientes e empregos enquanto a reestruturação financeira é conduzida no nível corporativo”.

Comentários
Comentário enviado com sucesso!