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Gilmar e a blindagem a João Campos
Publicado em 02/02/2026 11:35
Últimas Notícias

Gilmar Mendes determinou que a Polícia Federal (PF) investigue a suspeita de monitoramento ilegal contra integrantes da gestão do prefeito do Recife, João Campos (PSB). O ministro do Supremo também suspendeu uma apuração do Ministério Público de Pernambuco sobre o caso.

 

O alvo da suposta espionagem é o secretário municipal de Articulação Política e Social, Gustavo Queiroz Monteiro, e seu irmão Eduardo, assessor da prefeitura.

 

Segundo a gestão municipal, ambos teriam sido monitorados e seguidos por agentes da Polícia Civil de Pernambuco, com a instalação de um rastreador em um dos veículos usados pelo secretário.

 

A decisão de Gilmar ocorre em meio à pré-campanha eleitoral em Pernambuco. Campos é pré-candidato ao governo do estado e deve enfrentar a governadora Raquel Lyra (PSD), que tenta a reeleição e a quem a Polícia Civil é subordinada.

 

De acordo com Gilmar, a vigilância incluiu coleta de dados no meio digital, com “rastreamento e o reconhecimento facial”, conforme despacho publicado na última sexta (30).

 

 

“Não se trata, aqui, de apuração dirigida e fundamentada, mas de requisição massiva e horizontal de dados que, por sua abrangência e falta de delimitação, evidencia a prática típica, como dito, de ‘fishing expedition’”, escreveu o ministro do STF. A prática é ilegal.

 

O caso veio a público após reportagem da Record, exibida na semana passada, segundo a qual o rastreador foi instalado no carro de Monteiro em setembro do ano passado.

 

“A utilização de instrumentos técnicos de vigilância com finalidade política, dissociada de qualquer controle judicial, representa não apenas um desvio funcional, mas uma afronta direta aos preceitos fundamentais de inviolabilidade da intimidade, da legalidade, da impessoalidade e da igualdade de condição em disputa eleitoral”, afirmou o ministro no despacho.

 

Gilmar determinou que a PF apure se há “indícios mínimos” de crimes cometidos por agentes do Estado de Pernambuco. No despacho, ele também destacou “a gravidade das informações veiculadas, a aparente sistematicidade das condutas noticiadas, a vinculação dos alvos com o núcleo político do principal adversário da atual governadora do Estado de Pernambuco e a natureza profundamente invasiva dos métodos aplicados”.

 

De acordo com o ministro do STF, “banalizou-se o uso do aparato investigativo e se confundiu investigação com intimidação”, com “cerco político e atuação clandestina com fins eleitorais”, o que justifica a atuação da PF para apurar possíveis crimes federais e eleitorais.

 

O governo de Pernambuco nega monitoramento ilegal e afirma que as ações da Polícia Civil foram regulares, no âmbito de investigações sobre supostos desvios na prefeitura do Recife.

 

A Polícia Civil diz que a apuração começou após denúncia anônima sobre suposto pagamento de propina e se limitou a uma investigação preliminar. Ainda assim, Monteiro teria sido monitorado entre agosto e outubro de 2025.

 

A suspeita de recebimento de propina, segundo o governo de Pernambuco, veio a partir de uma “grave denúncia anônima apontando a utilização de um veículo, por servidor público do município do Recife”.

 

Em coletiva, o secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, afirmou que determinou a investigação após a chegada de um documento com imagens do secretário, do irmão e do carro em um estacionamento.

 

No documento, Gustavo é descrito como “‘braço direito do prefeito’, amigo de faculdade e responsável pela arrecadação e distribuição dos recursos financeiros”, além de alguém que “coordena toda operação de arrecadação [de propina], e coloca seus irmãos para executar”.

 

Já Eduardo é citado como ligado ao gabinete do prefeito, “conhecido e temido por todos os fornecedores” e responsável por “fazer a operação acontecer em todas as secretarias com a cobrança da propina”, inclusive com “manipulação em licitações”.

 

A denúncia afirma que Eduardo receberia pagamentos em dinheiro em estacionamentos de shoppings, com valores de 4% a 5% do “faturamento mensal” de fornecedores. “Caso o empresário não cumpra no mês, é bloqueado o pagamento no mês subsequente”, diz o texto, que também menciona cobranças de 30% a 50% por “valores a restituir”.

 

O documento cita ainda cobrança de 5% a 10% de fornecedores de eventos, como o Carnaval, afirmando que empresas terceirizadas “estão quebradas” por sofrerem extorsão mensal.

 

O pai dos dois, Henrique Monteiro, também é mencionado no documento como alguém conhecido “na Secretaria de Saúde com mesma finalidade” e que “já operou na Secretaria de Cultura do Recife”.

 

A denúncia aponta exceções à suposta cobrança de propina para empresas de Romero Jatobá, pai do vereador Romerinho Jatobá (PSB), presidente da Câmara Municipal e que faz parte do partido de João Campos, que seriam “beneficiadas com manipulação desde a licitação até a contratação dos empregados”.

 

Gilmar encerra outras investigações contra aliados de Campos

Gilmar Mendes também determinou o trancamento de investigações contra três secretárias da gestão municipal do Recife. As apurações eram conduzidas pelo Gaeco do Ministério Público de Pernambuco e tratavam de supostas irregularidades na adesão do município a atas de registro de preços de consórcios intermunicipais.

 

As investigadas são Luciana Caroline Albuquerque D’Angelo, secretária de Saúde; Maíra Fischer, de Administração; e Adynara Maria Queiroz Melo Gonçalves, executiva de Articulação e Fortalecimento dos Conselhos da Secretaria de Direitos Humanos e Juventude.

 

 

As secretárias alegaram que as investigações extrapolaram o objetivo inicial e adotaram medidas amplas e desproporcionais, como requisições genéricas a secretarias, quebras de sigilo fiscal sem autorização judicial e intimações sem delimitação clara das acusações.

 

O ministro do STF determinou o encerramento das investigações ao concluir que houve desvio de finalidade, ausência de definição do objeto da investigação e violação ao princípio da neutralidade estatal.

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