
Durante o programa Alive, exibido hoje (13) no YouTube, a cientista política e apresentadora Júlia Lucy afirmou que o veto do Lula ao projeto de anistia contraria o discurso de conciliação entre esquerda e direita adotado pelo Planalto.
Segundo ela, se o presidente tivesse real interesse em unir os campos políticos, “não teria vetado o projeto”. Na avaliação da apresentadora, a oposição precisa concentrar esforços para pautar a derrubada do veto e, ao mesmo tempo, avançar na instalação da CPMI do Banco Master.
Júlia Lucy disse que há resistência no Congresso, mas avaliou que uma pressão elevada pode dificultar a atuação do presidente da Câmara para barrar o avanço das investigações. Afirmou ainda que o caso recebe pouca atenção de outros veículos e jornalistas, apesar do alcance das relações do empresário Daniel Vorcaro.
De acordo com a apresentadora, pessoas influentes circulavam na casa de Vorcaro e há relatos de material sensível armazenado em seu celular. Ela mencionou informações sobre registros de autoridades de Brasília em situações consideradas “extremamente comprometedoras” e afirmou que, se esses dados vierem a público, “muita gente estará em maus lençóis”.
Júlia Lucy também citou declaração da senadora Damares Alves feita anteriormente no programa, segundo a qual o sigilo telemático já foi quebrado e o Senado teria acesso às informações. Disse que a divulgação ou não desse material envolve decisões políticas posteriores.
Na avaliação da apresentadora, o momento político favorece o avanço da CPMI. Ela afirmou que o terceiro e o quarto anos da legislatura aumentam a pressão sobre parlamentares que buscam visibilidade eleitoral. Para ela, deputados que não assinarem o pedido de CPI “devem explicação”.
Júlia Lucy declarou que a equipe do programa pretende divulgar os nomes de quem não apoiar a investigação. Segundo ela, a função do parlamentar é investigar, especialmente diante da liquidação do Banco Master pelo Banco Central. Questionou se há relações pessoais, interesses financeiros ou compra de títulos com informação privilegiada por trás das resistências.
Ela também abordou o papel do Fundo Garantidor de Créditos, afirmando que os ressarcimentos acabam sendo financiados indiretamente por correntistas. Disse que houve investidores que compraram títulos do Banco Master já cientes dos problemas de liquidez, apostando na cobertura do fundo, atraídos por rendimentos elevados.
Na sequência, a analista política e advogada Carol Sponza avaliou que há forte resistência institucional à investigação. Ela citou precedentes em que pedidos com assinaturas suficientes não avançaram no Congresso. Mencionou pagamentos a influenciadores e afirmou que, se confirmados, configuram manipulação do sistema financeiro.
Carol Sponza também apontou que um banco em processo de liquidação não pode realizar transferências desse tipo e afirmou que a legislação bancária veda esse tipo de operação. Disse ainda que há indícios de blindagem institucional e uso recorrente de sigilo para conter investigações.
Segundo ela, a CPI seria hoje o único caminho viável para apuração ampla, diante do que classificou como falta de interesse do Congresso em aprofundar o caso. A advogada afirmou que há conexão entre o debate da anistia e o avanço de comissões investigativas, mas avaliou que o cenário segue incerto.
Encerrando o bloco, o especialista em relações internacionais Marcos Degaut afirmou que o veto presidencial à anistia gera questionamentos no contexto do discurso de união política. Disse que a oposição tenta articular a derrubada do veto e a CPMI do Banco Master como pautas centrais.
Degaut destacou que a pressão política pode influenciar decisões da presidência da Câmara e reforçou que há relatos sobre material sensível envolvendo autoridades. Segundo ele, a eventual instalação da CPMI dependerá de cálculos políticos e da disposição do Congresso em enfrentar o tema.