O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), utilizou um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para viajar de Brasília a São Paulo na última quarta-feira (26), um dia antes de comparecer à final do Campeonato Paulista, entre Corinthians e Palmeiras. A viagem foi classificada como de “segurança”, mas teve apenas um passageiro — o próprio ministro. A informação é do jornal Folha de S. Paulo.
Naquela mesma quarta-feira, Moraes havia participado da sessão da Primeira Turma do STF que tornou réus o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e aliados por envolvimento em uma tentativa de golpe. Já na quinta-feira (27), o ministro apareceu por videoconferência nas sessões da Corte, direto de São Paulo.
À noite, compareceu à Neo Química Arena, ao lado do ministro Flávio Dino, para assistir ao título do Corinthians — seu time de coração — ao lado de 48 mil torcedores. Imagens compartilhadas nas redes sociais mostram Moraes vestindo a camisa do clube, acompanhado da esposa e do colega de ministério.
A presença em um evento de grande público gerou críticas sobre a justificativa de segurança para uso de aeronave oficial. “Se foi a um estádio com 50 mil pessoas, poderia tranquilamente ter usado um avião comercial”, avaliou Marina Atoji, da Transparência Brasil.
O uso de voos da FAB por ministros do STF aumentou após os ataques de 8 de janeiro de 2023. A justificativa tem sido o risco à integridade dos magistrados, cuja segurança, segundo o STF, é avaliada por critérios técnicos. No entanto, desde abril de 2024, o Tribunal de Contas da União autorizou o sigilo das informações sobre essas viagens — incluindo a identidade dos passageiros.
O advogado Bruno Morassutti, da Fiquem Sabendo, afirmou que o episódio prejudica a imagem de Moraes. “O ideal seria que a conduta dos ministros refletisse o uso adequado de recursos públicos”, comentou.
Procurados, o STF, a FAB e o Ministério da Defesa não comentaram o caso. Moraes também não se manifestou. A viagem aconteceu no contexto de alta tensão: além do processo contra Bolsonaro, o ministro tem sido alvo de ameaças e já teve sua localização monitorada por aliados do ex-presidente, segundo a Polícia Federal.
