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“Gabinete da ousadia”, do PT, usa Planalto para despachar com influenciadores de Lula
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Publicado em 11/06/2024

Integrantes da Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República, do PT nacional e das lideranças do partido no  Congresso realizam diariamente uma “reunião de pauta”, uma versão do chamado “gabinete do ódio” para definir os temas que serão explorados nas redes sociais. O secretário de comunicação do PT admite acionar influenciadores “quando tem necessidade”. O governo nunca comentou sobre o assunto.

 

As reuniões acontecem virtualmente por volta das 8h e incluem assessores da Secom, do PT nacional e dos gabinetes das lideranças do partido na Câmara e no Senado. Durante essas reuniões, são definidos os assuntos e abordagens que os canais e perfis petistas devem usar para pautar as redes sociais que o partido alcança. Eventualmente, influenciadores governistas são convocados para briefings sobre os temas de interesse do governo.

 

 

Na campanha eleitoral de 2022, a equipe de redes sociais do PT atuava sob o nome de “gabinete da ousadia”, uma versão petista do “gabinete do ódio” da gestão Jair Bolsonaro (PL). Desde 7 de maio, a reportagem busca uma explicação oficial da Secom sobre a participação de servidores, os tipos de informações repassadas ao PT e a interlocução com influenciadores pró-governo, mas não obteve resposta.

 

Uma rede de páginas e perfis governistas tem se destacado na defesa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizando ataques coordenados a críticos e desqualificando a imprensa. A relação direta entre governo e partido com esses influenciadores sugere que a atuação digital deles é orientada a partir do Palácio do Planalto. Não há registros de repasse de verba pública para esses influenciadores.

 

 

Durante a tragédia no Rio Grande do Sul, PT, governo e influenciadores trabalharam para rebater o que classificam como fake news, incluindo críticas políticas e reportagens da imprensa, e para divulgar ações de Lula em favor dos gaúchos. O governador Eduardo Leite (PSDB-RS) e a família Bolsonaro também foram alvo de perfis governistas.

 

O deputado Jilmar Tatto (PT-SP), secretário nacional de comunicação do partido, revelou a existência da reunião diária durante um evento interno em dezembro, afirmando que o trabalho de comunicação é baseado em “metodologia”, “ciência” e “expertise”. “Às 8h da manhã tem um pedacinho do povo do PT, da delegação nacional, junto com o pessoal da Câmara, da liderança do PT, junto com o Senado, junto com a Secom do governo Lula. É feita uma chamada reunião de pauta. O que vamos abordar hoje”, explicou.

 

 

A Polo Digital Marketing, agência de comunicação que presta serviços ao PT desde 2021, também participa das reuniões matinais sobre os temas prioritários. Durante a campanha de 2022, a sócia da Polo, Clarisse Chalréo, liderava o grupo de WhatsApp “gabinete da ousadia”, ligado à coordenação nacional do partido.

 

Em entrevista ao Estadão, Jilmar Tatto confirmou que as reuniões de pauta mobilizam as principais estruturas da comunicação do partido, mas minimizou a participação diária da Secom, dizendo que ocorre “às vezes, dependendo do horário”. O parlamentar também admitiu que influenciadores são eventualmente chamados para as reuniões de pauta e que busca estreitar a relação com eles para que sigam a pauta de interesse do governo e do partido.

 

 

Os encontros matutinos têm como objetivo “pautar as redes que o PT alcança”, abrangendo sindicatos, movimentos sociais, prefeitos, vereadores e deputados estaduais. Os temas tratados incluem tragédias, ações do governo, pesquisas de aprovação e reações a reportagens jornalísticas. A atuação nas redes sociais dos influenciadores envolve mutirões contra adversários ou a favor de governistas.

 

 

Recentemente, o humorista Whindersson Nunes foi alvo das redes governistas após criticar as aparições da primeira-dama, Janja da Silva, em medidas humanitárias para o Rio Grande do Sul. A imprensa também é um alvo preferencial dos ataques dos influenciadores, especialmente quando reportagens expõem erros ou omissões do governo.

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